Por que não algum dos deuses politeístas? (Análise e Refutação)

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Por que não algum dos deuses politeístas?

Hoje abordaremos um tema que é comumente utilizado por neo-ateus em debates e, por mais simples que seja a refutação, acho importante ressaltar alguns pontos, pois esta técnica possui inúmeras variações e pode confundir a cabeça de alguns. Nessa técnica simplória, o adversário te perguntará o motivo pelo qual optamos pelo monoteísmo ao invés da crença em alguma divindade politeísta(já ligue o alerta para a técnica “Se você tivesse nascido em outro país, teria outra crença/Religião é só algo cultural”, cuidado! Em breve eu abordarei este tema aqui no blog). Enfim, a pergunta pode vir mais ou menos assim: “Por que você acredita em Deus e não em Thor, Osíris, Rá e Afrodite?” ou "Qual é a diferença entre seu Deus e os deuses politeístas?" e ainda "Qual Deus? hehe"

Embora exista uma “falha” na pergunta(observem que é uma pergunta pessoal: “Por que você acredita…”) que não me permita responder por todos, vou, obviamente, argumentar no sentido de como eu responderia a tal questão. Antes de tudo, por trás do nome, quem é “Deus”? Deus é definido como um ser pessoal, transcendental, necessário, imaterial, não-cauasdo, atemporal, não-espacial, et cetera. Se ele é transcendental, então não tem atributos e características tipicamente físicas(como ter uma cabeça de falcão, barba vermelha ou usar uma cabeça de falcão), se ele é necessário em sua própria existência, então não pode ter passado a existir(como surgir do sêmen jogado no mar. Você vai entender isso daqui a pouco, se ainda não entendeu). Nós temos argumentos que INDICAM a existência de um ser com ESSAS CARACTERÍSTICAS de ser pessoal, transcendental e necessário(e não outras). São argumentos como o da Causa Primária, Cosmológico Kalam, o da Contingência, Moral, Ontológico, etc.

Eles são considerados racionais e com apelo, portanto, nós podemos nos justificar neles para acreditar em Deus. Agora que já sabemos o que é Deus e com que base podemos justificar nossa crença nele, vamos nos perguntar agora: E quem são Thor, Osíris, Rá e Afrodite?

Listarei as definições(de forma bem resumida, só para passar a ideia) desses quatro deuses para a análise. Por exemplo:



Thor


Thor ou Tor(nórdico antigo: Þórr, inglês antigo: Þunor, alto alemão antigo: Donar) é o mais forte dentre deuses e homens, é um deus de cabelos vermelhos e barba, de grande estatura, representando a força da natureza(trovão) no paganismo germânico, disparando raios com o seu poderoso martelo Mjolnir. Ele é o filho de Odin, o deus supremo de Asgard, e de Jord(Fjorgyn) a deusa de Midgard (a Terra). Durante o Ragnarök, Thor matará e será morto por Jörmungandr. Thor também é chamado de Ásaþórr, Ökuþórr, Hlórriði e Véurr.

Osíris

Osíris é, miticamente, a primeira de todas as múmias, dando assim justificativa à prática do embalsamamento. Ísis, sua esposa-irmã, opõe-se à catástrofe da sua morte com a prática da magia, o recurso da mumificação e a milagrosa concepção de Hórus.


Rá ou Ré é a principal divindade da mitologia egipcía, Rá é um deus com cabeça de falcão conhecido como o deus do sol, pela impôrtancia da luz na produção dos alimentos.

Afrodite

Afrodite era a deusa grega da beleza, do amor e da procriação. Possuía um cinturão, onde estavam todos os seus atrativos, que, certa vez, a deusa Hera, durante a Guerra de Troia, pediu emprestado para encantar Zeus e favorecer os gregos. De acordo com o mito teogônico mais aceito, Afrodite nasceu quando Urano (pai dos titãs) foi castrado por seu filho Cronos, que atirou seus testículos ao mar, então o semêm de Urano caiu sobre o mar e formou ondas chamadas de(aphros), e desse fenômeno nasceu Aphroditê("espuma do mar"), que foi levada por Zéfiro para Chipre. Como vingança e punição, Zeus fê-la casar-se com Hefesto(segundo Homero, Afrodite e Hefesto se amavam, mas pela falta de atenção, Afrodite começou a trair o marido para melhor valorizá-la) que usou toda sua perícia para cobri-la com as melhores joias do mundo, inclusive um cinto mágico do mais fino ouro, entrelaçado com filigranas mágicas. Isso não foi muito sábio de sua parte, uma vez que quando Afrodite usava esse cinto mágico, ninguém conseguia resistir a seus encantos.

Podemos observar então que estes deuses exemplificados acima se resumem em seres com características físicas limitadas(destacadas nos trechos. como ter barba, cabeça de falcão, ter uma esposa-irmã, etc.) e que não são necessários(Afrodite, por exemplo nasceu do sêmen de Urano jogado no mar, definição que seria simplesmente inconcebível para Deus!). Essas quatro divindades são diferentes da divindade Deus? Acho que está claro que, conceitualmente, são. Assim, os argumentos para Deus não podem se aplicar a eles. Mas que argumentos nós temos para a existência de uma “primeira múmia” ou para um sujeito com um martelo mágico que controla ou dispara os raios? Bom, eu não ouvi nenhum. Então, esta aí a diferença: Deus é um ser transcendental, pessoal e necessário para qual temos argumentos a favor. Já os outros são seres contingentes, físicos e “arbitrários” para qual NÃO temos argumentos a favor.


Logo, temos argumentos para acreditar na existência de Deus, que é um ser diferente da existência de Thor, Osíris, Rá e Afrodite, que precisariam de argumentos próprios e que, na verdade, parece que não temos. Deste modo, eu posso dizer por qual motivo dou preferência a Deus aos outros seres diferentes dele. A conversa pode continuar assim:


- Mas eu discordo dessa visão. Eu acredito que Thor não é um ser físico com um martelo. Na minha opinião, Thor é o nome de um ser que está além do nosso Universo e que é necessário em sua existência.”


Essa é uma variação do que eu já havia explicado na técnica “Por que não o Monstro do Espaguete Voador?”. Se você passar a definir Thor como transcendente e necessário, então, tudo bem, nós passamos a falar do MESMO ser! Um ser não se define pelo nome de fantasia que damos a ele, mas pelas características conceituais objetivas de quem se fala. Se você igualou a descrição de Thor à descrição de Deus, então agora estamos falando da mesma coisa, mas apenas com nomes diferentes, sendo o nome um detalhe irrelevante para a discussão”. Como eu mencionei naquele mesmo artigo:

A moral da história é: Por mais que se queria dar algum outro nome besta qualquer, como Monstro do Espaguete Voador, Mamãe Ganso ou Unicórnio Rosa Invisível, se estivermos falando de seres com as MESMAS características OBJETIVAS… então estamos falando… do mesmo ser!


Talvez ele ainda tente no final:


- Ok, mas mesmo assim pode ser tanto Allah quanto Deus. E agora?”


Essa é simplesmente a pergunta “Qual Deus?”. (sim, as perguntas vão se relacionando, pois quando refutamos uma eles trocam para outra,  esse é o motivo das referências). “Deus”, “Allah” e “Javé” são três palavras diferentes que se referem ao MESMO ser. São todos o que se comumente se entende por “Deus”(nome próprio). Allah é até a palavra que os árabes usam para Deus, como “God” em inglês ou “Dios” em espanhol. Então não há diferença alguma entre eles. E, não, o fato de existirem três revelações(ou mais) diferentes não o fazem serem “deuses” diferentes. Nós temos que fazer duas perguntas para qualquer religião:


(1): A divindade de qual essa religião fala existe?


(2): Se existe, a forma que ela se revelou/a forma de se fazer o “religamento” com ela, tal qual alegado por essa religião, é verdadeira?


Cristãos, muçulmanos, judeus e deístas concordam no tópico (1) (e os argumentos citados por mim no início servem para dar suporte inicial, ao menos para o item (1) apenas). O que eles discordam é por qual forma certa ou válida Deus se revelou, seja na Torah, seja por Jesus Cristo, seja por Maomé ou seja em nenhuma dessas opções(caso aceito pelos deístas). E o fato de discordarem sobre como Deus se manifestou ou como Deus agiu na história NÃO os faz falarem sobre um “Deus” diferente. Se adotassemos esse critério, então teríamos que dizer que a cada biografia que traz um perfil diferente de um biografado está se referindo a OUTRA pessoa, quando, na verdade, assim como no caso das revelações, pode ser simplesmente que eles concordem sobre quem estão falando, mas alguns dos biógrafos esteja com uma interpretação falsa ou distorcida da existência dessa pessoa biografada.

Não obstante, a alegação da existência de deuses múltiplos não parece resistir à Navalha de Ockham. Este é um princípio lógico com autoria atribuída ao frade franciscano Guilherme de Ockham (ou “Occam”, segundo algumas grafias).  É descrito, de forma simplificada, como o “princípio da parcimônia” ou, em latim, Entia non sunt multiplicanda praeter necessitatem (“Entidades não devem ser multiplicadas além da necessidade” – a resposta mais simples é a melhor). Nesse sentido, se um único Deus - em teoria - é suficiente para explicar a existência do universo, a navalha é bem-sucedida em "decapar" outras causas desnecessárias.

Conclusão e considerações finais:

Esta técnica é ridiculamente fraca, porém muito utilizada. Para refutá-los, basta citar os argumentos a favor da existência de Deus e diferenciá-lo dos outros deuses e divindades paralelas através de suas características físicas. É possível também refutá-los demonstrando, através do Kalam, que a causa do Universo deve ser IMATERIAL, ATEMPORAL, PESSOAL, et cetera.  E é necessário observar também as técnicas paralelas que possam ser utilizadas por eles. Caso estas sejam utilizadas, as respondam com o mesmo vigor de antes. E voi-lá! Mais um falho estratagema neo-ateu neutralizado.


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