Para quê serve Deus?

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Para quê serve Deus?

Nessa tática, o neo-ateu tentará pressionar fazendo uma pergunta cuja última base será: “Para que serve Deus?”. Como a ausência ou falta de crença em Deus não irá mudar nada na vida dele em termos práticos, então ele continua assim mesmo. Uma das primeiras vezes em que se pode mapear essa técnica foi na utilização dela pelo usuário GuegoNavarro, no Twitter, à época da campanha Ciência não é contra Religião.

Não sei se essa era a intenção dele (pode ser que fosse e não sei se ele é neo-ateu), mas foi aí que eu me atentei para esse truque. Precisamos ter em mente que o sistema religioso NÃO é uma espécie de martelo que deve ter uma utilidade prática imediata (embora, ironicamente, o comportamento religioso possa servir para evitar AIDS mais facilmente). A discussão da crença religiosa (englobando aí a crença em Deus) é feita no campo da filosofia e da contemplação da verdade, não da ação puramente hedonista (“Vou ter prazer com isso?” etc). Por isso, a pergunta correta, dentro desse domínio, não seria “Para que serve Deus?” e sim “Deus existe ou não?”. Claro que a resposta pode voltar como: “Mas isso demonstra exatamente o proposto: Que a crença em Deus não faz diferença na nosso bem-estar imediato”.

Mas então temos a questão: “Nós estamos discutindo o seu subjetivismo ou o valor de verdade da existência de Deus?”. Se é o valor de verdade, então o utilitarismo tosco dele é irrelevante e ele está refutado. Se tudo se resumir ao “que me faz bem”, nesse caso, então talvez ele finalmente esteja sendo honesto, e admitindo que ele não se preocupa com uma a verdade, mas com doutrinas que sirvam só para suas vontades. Mas mesmo assim a ideia de que Deus é irrelevante não é verdadeiro. Não podemos falar do prazer imediato do sujeito (que varia muito de caso a caso), mas uma realidade com Deus traz consequências sim para o ser humano. Alguns pontos que são diferentes no caso da religião estar correta, de forma geral:

A- Se Deus existir, a vida e o Universo tem significado, os seres humanos são dotados de uma dignidade própria e fomos feitos para nos completarmos na relação com o Ser mais perfeito do Universo.

B- Se Deus existir, então existem valores morais objetivos que fundamentam e que servem de parâmetro todo agir moral.

C- Se Deus existir, então existem comandos morais que formam nossos deveres de condutas uns com outros.

D- Se Deus existir, então cada um de nós vai ter que passar por um julgamento pelo descumprimento das normas morais, sofrendo responsabilidade por tudo que fizemos ao longo da nossa existência.


Obviamente que isso muda (e muito) o significado da existência humana e do lugar da nossa espécie, a longo prazo, no Universo. A palestra de William Lane Craig “O Absurdo da Vida sem Deus” desenvolve melhor esse ponto.

Conclusões e considerações finais:

Enfim, como disse uma vez C. S. Lewis, “Só existem dois tipos de pessoas no fim das contas – as que dizem a Deus: 'Seja feita a tua vontade'; e aquelas a quem Deus diz: 'A sua vontade seja feita.'”  E, ficando no campo não da verdade (que ele rejeitou), mas das unicamente das consequências existenciais para si, saber se Deus existe ou não e a atitude que tomamos perante essa dúvida, é uma decisão que faz toda a diferença.


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3 comentários:

  1. Bom dia amigo, gostaria de tirar uma duvida com você. Quando vejo "teólogos" falando sobre intervenção divina gostaria de entender melhor isso. Sabemos que Deus nos legou o livre arbítrio, portanto seria meio que sem sentido Deus intervir na vida humana, ao ponto de salvar uns da morte e outros deixar perecer. Não consigo entender como conciliar isso, quando vejo pessoas dizendo que Deus a salvou de tragedias, desastres, et cetera, não consigo entender como Deus pode ter agido. Gostaria que me ajudasse nessa empreitada amigo.

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    1. Bom dia. Bem, acredito que, nesse contexto, estamos a falar em milagres. Se definirmos que as leis do universo são apenas a maneira idealizada pela qual Deus deixa o Universo operar quando ele não tem motivações específicas para variá-las, logo, poderíamos concluir que Deus interfere na vida das pessoas quando tem motivações para tal. O fato de não conhecermos a finalidade das intervenções não implica em contradição no livre-arbítrio. Um exemplo: desastres naturais. Eles não são submissos ao livre-arbítrio dos seres humanos, pelo contrário, eles são naturalmente arbitrários. Se Deus interferir por uma razão x, logo, ele não estará interferindo no livre-arbítrio da vítima, até porque ninguém gostaria de morrer em um desastre natural. Com relação a um ser salvo e o outro não, só Deus sabe, e, novamente, isso não implica em nenhuma contradição. O fato de não conhecermos uma motivação x, não quer dizer que o ato y tá errado. Um outro exemplo são assassinatos. Devemos, igualmente, ter em mente que, além de não termos a capacidade de reconhecer quando uma interferência divina ocorre de fato, uma arma pode falhar por simples circunstâncias da causalidade em relação às ações e reações (uma arma sem manutenção, por exemplo, tem grandes chances de falhar), e atribuímos isso a Deus devido a alta improbabilidade. Se pararmos para pensar, as pessoas são salvas de tragédias justamente pela questão da causalidade relacionada às ações e reações. "Por que um indivíduo atirou justamente na direção de um celular que estava no bolso da vítima, que por sua vez, a salvou da morte?". Por outro lado, ainda, Deus poderia interferir na vida das pessoas quando as envolvidas no processo fazem uso de seu livre-arbítrio alinhadamente às intenções divinas. Ao meu ver, não há contradições.

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  2. "Seja feita sua vontade e sua vontade seja feita " o contrário não é verdadeiro? Não significa o mesmo? Ou o significado é permutado?

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