O Paradoxo de Epícuro (Análise e Refutação)

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O Paradoxo de Epícuro e o problema do mal.

Um dos problemas clássicos oferecido pelos defensores do ateísmo é o Paradoxo de Epícuro. Basicamente, ele sustenta que há algum tipo de contradição entre a existência de Deus e a existência do Mal. Estou certo que todos os que estão aqui já devem ter uma ideia do que ele significa. Nesse artigo, muito extenso, diga-se de passagem, farei uma análise da relação Deus e o Mal. Eu costumo fazer posts mais diretos, mas como esse é ao menos um argumento, e não uma imbecilidade do tipo “Monstro do Espaguete Voador” (que, incrivelmente, alguns ainda levam a sério), vou me alongar um pouco. Tentarei ser o mais simples que puder, mas não mais simples do que isso. Eis o paradoxo:


"Enquanto onisciente e onipotente, tem conhecimento de todo o mal e poder para acabar com ele. Mas não o faz. Então não é benevolente. Enquanto onipotente e benevolente, então tem poder para extinguir o mal e quer fazê-lo, pois é bom. Mas não o faz, pois não sabe o quanto mal existe e onde o mal está. Então ele não é onisciente. Enquanto onisciente e benevolente, então sabe de todo o mal que existe e quer mudá-lo. Mas não o faz, pois não é capaz. Então ele não é onipotente."


Observação: O  texto a seguir é da autoria do blogueiro "snowball". 
Os comentários e as continuidades nos raciocínios, no entanto, foram adicionados por mim.


O argumento já começa falho quando aceita a existência do bem e do mal, que no ateísmo, dada a moralidade subjetiva, não existem. E isto se deve à ausência bases para afirmar que algo é bom ou mau. O argumento já cai aí. Porém, vamos analisá-lo de forma completa, "esquecendo" essa parte(se é que é possível). Antes de darmos início à argumentação, duas observações são importantes para melhor entendimento desta: o conceito de mundos possíveis e o ônus da prova.




1- O que são Mundos possíveis?


O conceito de Mundos Possíveis está relacionado à lógica modal. Basicamente, temos que fazer a distinção entre o possível e o necessário. Uma afirmação possível é uma que contenha um enunciado cujo valor de verdade não seja contraditório. Ou seja, algo possível é algo que não é necessariamente falso: pode ser ou não ser. Pense da ideia de “É possível que…” que entenderá facilmente. José Serra não ganhou as eleições. Era possível, mas ele não ganhou. A ideia de José Serra ganhar a eleição de 2010 não se atualizou na realidade, mas não é necessariamente falsa. Podemos descrever um mundo hipotético desse jeito sem criar nenhuma contradição. Uma Terra quadrada também é possível. Não é verdade, mas é possível. Todos os coelhos serem vermelhos também é uma possibilidade, embora não seja verdade no mundo real.

Já uma afirmação necessária é uma que contenha um enunciado que não pode ser nem possivelmente falso (se verdadeiro) nem possivelmente verdadeiro (se for falso). Ou é, ou não é. Por exemplo: um triângulo DEVE ter NECESSARIAMENTE 180º graus internos (esqueça as palavras e pense apenas nos conceitos abstratos). Isso é necessariamente verdadeiro. Um homem casado (não uma pessoa específica, mas o conceito abstrato desse termo, novamente) deve necessariamente não ser solteiro; se for solteiro, não é casado. Uma afirmação contraditória do tipo “Esse homem casado é solteiro” é necessariamente falsa e não faz parte de nenhum mundo possível. Então, um mundo possível é uma descrição da realidade que contenha enunciados, como:



•    Mundo Possível MP1: S0 & S1 & S2 & S3 & S4

•    Mundo Possível MP2: S0 & S1 & S2 & S5 & S6

•    Mundo Possível MP3: S0 & S1 & S2 & S7 & S8



Vamos verificar quais são essas afirmações. A primeira delas é S0.


S0: A proposição 2 +2 =4 é verdadeira.


A proposição S0 é necessariamente verdadeira (pois nunca é possivelmente falsa). Ela faz parte de TODOS os mundos possíveis. Não existe nenhum mundo possível onde 2 + 2 = 4 não seja verdade (vou pedir mais uma vez: não pense nos algarismos e nos sinais gráficos, mas no conceito). Prosseguindo:

•    S1: Existe um país chamado P1.
•    S2: O País chamado P1 teve eleições no ano A1.

São duas afirmações possíveis, pois não são necessariamente falsas; o país P1 poderia ou não existir. Da mesma forma, poderia ou não ter feito eleições no ano A1. Vamos considerar que S1 e S2 são possíveis e reais. De fato existem. S1 e S2 se desdobram em:



•    S3: O sujeito X1 venceu as eleições.
•    S4: O primeiro ano do governo de X1 foi marcado pelo fim dos concursos públicos.


Não há nada contraditório nas proposições S3 e S4. Elas poderiam muito bem ser verdades reais. Então o conjunto MP1 formado por {S0 & S1 & S2 & S3 & S4} é um mundo possível.
Adiante, elas ainda poderiam se desdobrar em:

•    S5: O sujeito X1 venceu as eleições.
•    S6: O primeiro ano do governo de X1 foi marcado pelo aumento dos concursos públicos.

Também não há nada contraditório nas proposições S5 e S6. Então, o conjunto MP2 que é formado por {S0 & S1 & S2 & S5 & S6} também é um mundo possível. Pode ser que ele seja falso; mas ainda assim é um mundo possível. Ou ainda:


•    S7: O sujeito X1 (concorrente direto de X2) venceu as eleições sozinho no primeiro turno e exerceu seu mandato.

•    S8: O sujeito X2 (concorrente direto de X1) venceu as eleições sozinho no primeiro turno e exerceu seu mandato.


Agora sim temos um problema: as proposições S7 e S8 não podem ser verdadeiras ao mesmo tempo. Ou S7 é falso ou S8 é falso; não há como conciliar as duas afirmações, que são excludentes. Se um mundo possível é um mundo onde não há nenhuma contradição lógica entre duas proposições (seja ela interna para uma mesma afirmação ou entre si correlacionadas como no exemplo), então o mundo MP3 formado pelo conjunto {S0 & S1 & S2 & S7 & S8} NÃO é um mundo possível. Se quisermos estabelecer uma contradição, então temos que mostrar que em NENHUM mundo possível comporta duas proposições. A conclusão é obrigatória e não tem nenhuma escapatória lógica. Se houver uma outra saída, então não há mais a contradição lógica e temos um mundo possível novamente. Passamos ao próximo esclarecimento. 



2- De quem é o ônus da prova no Problema do Mal?


O ônus da prova no Problema do Mal é do ateu que o propõe, não do teísta. O Paradoxo de Epícuro é utilizado com o objetivo de mostrar que Deus não pode existir ou que é irracional acreditar que Deus exista dado o Paradoxo. O que um teísta tem que fazer é apenas mostrar que o Problema do Mal não implica na conclusão “Deus não existe”, mostrando algumas saídas. Não é preciso provar que tais coisas realmente sejam assim como descritas na sua saída, a princípio. O mesmo vale para o Problema do Mal. Por fim, vamos à refutação do paradoxo:

O Problema Lógico do Mal

Eu gostaria de falar sobre o desafio de um ateu dar uma definição objetiva para a existência do Mal sem usar uma base transcendental, mas, por questões de espaço, vou pular essa parte. O Problema Lógico do Mal consiste em dizer que há uma contradição lógica entre Deus e o Mal, ou seja, não há nenhum mundo possível entre que aceita ao mesmo tempo (1) “Deus existe” e (2) “O mal existe”. Um é a negação de outro; o mal é uma prova necessária da inexistência de Deus. É uma contradição  simples e direta, nos moldes do que vimos acima. E, para desfazer uma contradição, basta achar uma terceira saída que seja logicamente possível. Então, o que o ateu está querendo dizer, basicamente, é que qualquer teísta entra em um problema quando aceita essas duas proposições ao mesmo tempo:


•    1. Deus existe.

•    2. O mal existe.


Mas, pense um pouco. Perceba que não há nenhuma contradição explícita ou formal entre esses dois enunciados. Ele não é como:


•    S7: O sujeito X1 (concorrente direto de X2) venceu as eleições sozinho no primeiro turno e exerceu seu mandato.

•    S8: O sujeito X2 (concorrente direto de X1) venceu as eleições sozinho no primeiro turno e exerceu seu mandato.


Em S7 e S8, você lê e imediatamente percebe que as duas frases não podem ser verdadeiras ao mesmo tempo. A primeira é negação da segunda e a segunda é negação da primeira. A contradição é explícita. Mas não está claro como o “1. Deus existe” e “2. O mal existe” poderiam ser análogas a isso. Se não temos uma contradição explícita, então quer dizer que a nossa contradição, se existente, deve estar implícita. A correlação provavelmente estaria nos atributos de Deus, o fato de ele ser todo poderoso, todo bom e odiar o mal. Então o silogismo melhor ficaria se expressado dessa maneira:


•    (3) Deus é todo poderoso, todo bom e odeia o mal.

•    (3.1) Se Deus é todo poderoso, então pode criar qualquer mundo que desejar.
•    (3.2) Se ele pode criar qualquer mundo que desejar, então ele iria preferir um mundo sem nenhum mal.
•    (4) Mas o mal existe.
•    (5) Logo, Deus não existe.


Para que o conjunto acima implique dedutivamente em uma contradição lógica, todas as premissas devem ser necessariamente verdadeiras. Mas elas são? Se não forem, o problema lógico cai por terra. Analisamos a seguir:

•    Proposição I: Se Deus existe, então ele pode criar qualquer mundo que desejar: A ideia crucial para entender se Deus pode criar qualquer mundo que ele quiser é a ideia de mundos possíveis, explicada na introdução. Mundos possíveis se referem a uma descrição em proposições de um estado de coisas que poderia ou não ter sido. Pense nas seguintes proposições:


Lula foi presidente do Brasil.


7 + 5 = 12

Uma criança pintou um quadrado desenhado de vermelho.


Elas não só ideias possíveis, mas como foram ideias reais. São ideias que realmente são verdadeiras, além de possuírem a propriedade de não serem necessariamente falsas (isto é, possíveis). Esse é, claramente, um tipo de mundo que Deus pode criar ou atualizar. Mas Deus pode atualizar qualquer mundo? Pense nas proposições a seguir:



O número natural 1 (um) foi presidente do Brasil.

7 + 5 = 99

Uma criança pintou um quadrado desenhado de círculo.



Se pensarmos nos termos abstratos e não no símbolo social (porque é claro que “99” poderia ser o nosso “12”, se assim fosse nossa cultura) veremos que esses são mundos que Deus não pode atualizar ou não pode criar. O número 1 (um) é um objeto abstrato; ele não tem corpo e não entra em relações causais. Já que para ocupar o cargo de presidente do Brasil é preciso poder causal, então o número natural 1 jamais poderia mandar no nosso país. A ideia é logicamente contraditória. A conta 7 + 5 também não pode dar outro resultado que não seja 12.  É impossível que juntando cinco peças com outras sete de algo terminemos com noventa e nove. E uma criança não pode “pintar” algo de “círculo”; círculo não é uma cor. Essa frase não possui, da mesma forma, sentido, sendo contraditória do ponto de vista lógico. Disso concluímos que, portanto, nem todos os mundos são capazes de serem criados; e Deus não pode atualizar qualquer mundo que ele desejar. Esses não são mundos possíveis, pois contém proposições que são logicamente contraditórias e então necessariamente falsas (isto é, impossíveis). Uma vez que Deus não pode fazer o logicamente impossível, pois o logicamente impossível não é sequer é “algo” no grupo de “tudo que pode ser feito” para contar dentro de todo poder (para uma visão desse assunto, ver meu artigo sobre o Paradoxo da Pedra). Da mesma forma, não é logicamente possível causar ou fazer alguém livremente realizar uma ação. Pois ou ele realiza livremente ou ele foi causado para tanto, são duas ideias opostas.


Agora chegamos na defesa baseada no Livre Arbítrio (atenção: defesa, o que possivelmente poderia ser e não teodicéia, demonstração do que seria de fato). Se é possível que existam seres com livre-arbítrio, significa que em cada situação possível A, B ou C eles iriam livremente responder de uma maneira. Imaginemos uma situação A onde um homem chamado Charles recebe um presente. Considerando que é possível que Charles, na situação A, tenha livre-arbítrio, sabemos pela lei do excluído do meio que ou ele iria aceitar o presente (ação r que levaria ao mundo Mr) ou ele não iria aceitar o presente (ação t; levaria ao mundo Mt). Então numa dada situação A, teríamos duas daquilo que vamos chamar de “contrafactuais da liberdade”. E uma delas, acontecendo A, teria que ser verdade. Ou (r) vai ter valor de verdade:


•    (r) Charles, se acionado na situação A, vai livremente agir para aceitar um presente (levando a um mundo Mr).


Ou (t) vai ter valor de verdade:

•    (t) Charles, se acionado na situação A, vai livremente agir para não aceitar um presente (levando a um mundo Mt).


Em primeiro lugar, Deus não pode atualizar um mundo onde (r) e (t) sejam verdadeiros ao mesmo tempo e sob o mesmo aspecto. Se A, então uma delas têm valor de verdade e a outra é falsa. Esse é mais um mundo que Deus não pode atualizar. Se (t) tem valor de verdade e Charles, estando na situação A, iria livremente recusar o presente, então Deus não pode fazer com que Mr seja verdadeiro. E se (r) era verdadeiro e Charles, estando na situação A, iria livremente aceitar o presente, então Deus não pode criar Mt, onde Charles livremente rejeita o presente. Depende de como Charles livremente responde em A. Como só um dos dois pode ser verdade, há pelo mais um mundo que Deus não pode criar. Mude essa situação para um ação de valor moral, o presente é, na verdade, uma propina do governo. Deus não pode causar Charles para fazer o certo se ele está em uma ação livre. Está na mãos de Charles escolher livremente fazer a coisa certa ou não.  E assim então temos vários exemplos de mundos que Deus não pode criar (e sem que ele deixe de ser onipotente). Então a primeira proposição não é necessariamente verdadeira; ou podemos ir além e dizer que ela é falsa. O problema lógico do mal já perdeu uma de suas premissas. Vamos considerar a segunda agora:

•    Proposição II: Podendo criar qualquer mundo que quiser, Deus escolheria um mundo sem nenhum mal: Observe que a proposição II depende do antecedente que não é nada mais do que a proposição I. Mas já definimos que a proposição I não é necessariamente verdadeira, a dois já começa com uma falha fatal. Em II, o que se postula é algo como um mundo em que Deus só permite vários escolhas entre boas opções. As pessoas não podem escolher o mal. Mas, nesse caso, não haveria liberdade. Pense um pouco: imagine uma ditadura que faça eleições periódicas. Mas você só pode escolher entre vários generais do mesmo partido. Isso seria liberdade de escolha?  Não. O mesmo se aplica a Deus não permitir o mal.E é possível que Deus permita e prefira a liberdade. Então a primeira opção cai por terra. Talvez o ateu desista dessa versão e mude para a seguinte ideia: “Certo, se Deus não permitisse o mal, não haveria liberdade. Mas é possível que Deus crie um mundo onde as pessoas livremente escolhem apenas ações boas”. Ele está certo. A princípio, um mundo onde as pessoas escolham apenas ações boas não é logicamente contraditório. Mas, no sentido contrário, é logicamente necessário que isso seja verdade? Ou isso pode ser possivelmente falso? Deus pode escolher um mundo sem nenhum mal, com as pessoas tendo a liberdade? Talvez não.

Imagine que para cada indivíduo criado há um conjunto completo decontrafactuais de liberdade como (t) e (r) mencionados acima. Em dadas situações ele sempre tomaria uma ação de liberdade descrita nos contrafactuais: em A, ele escolheria ou (t) ou (r). Em B, ou (t1) ou (r1). Em C, ou (t2) ou (r2). E assim por diante englobando todas as situações possíveis. Sendo que uma delas sempre vai possuir um valor de verdade sobre o que a pessoa faria livremente em cada situação. Se A, então (t). Se B, então (t1). Se C, então (r3) e etc. Agora a ideia chave é a “Depravação através de todos os mundos”. Se cada indivíduo tem suas contrapartidas de liberdade, que possuem valor de verdade em dada situação A, B ou C, então é possível que elas existam de um jeito que, não importando o conjunto de situações que Deus coloque o indivíduo, se ele estiver com liberdade moral significante, ele sempre faria livremente pelo menos uma coisa errada. Então o mal seria possivelmente uma condição necessária da existência da liberdade moral. E por que Deus não muda esses contrafactuais de liberdade ruins? Porque se ele mudasse não seria contrafactuais de liberdade. Voltaríamos então para o primeiro caso dos generais da Ditadura Militar. Sim, é possível que “Charles” nunca faça a coisa errada. Mas Deus não pode fazer isso sem a ajuda de Charles. No fim das contas, depende apenas de Charles não cometer coisas ruins. Deus não pode obrigá-lo a livremente fazer a coisa certa.

Novamente, isso não significa que ele não é onipotente de forma alguma. Como vimos, Deus ser onipotente não significa que ele possa fazer alguém livremente escolher algo. Se ele causa as pessoas para fazer algo, então não estamos falando mais de “livremente”. E a questão toda depende da liberdade. E é possível que a humanidade seja como “Charles”: sempre escolheria livremente pelo menos algo errado. Então suponha que você esteja dentro da situação acima. Nesse estado de coisas, não só é possível  que o mal seja uma condição necessária de agentes livres pelos valores de verdade dos contrafactuais de liberdade, mas que também ele acabe servindo a algum propósito maior. Então, servindo a um outro propósito de acesso a um bem maior, também não podemos afirmar que necessariamente Deus escolheria um mundo sem nenhum mal. Alguém pode perguntar agora: “Ok. Esse é o mal moral. Mas e quanto ao mal natural?” É ao menos logicamente possível que o mal natural seja aparentemente restrito ao natural, tendo sua origem também em um mal moral derivado de agentes livres (como pecados, ação de pessoas não humanas, etc). Não há nada de contraditório nessa ideia, então ela é possível. E sendo possível, a argumentação acima se aplica igualmente. (Acho que são possíveis outras argumentações para o mal natural, mas, por questões de economia, essa mais simples será adotada agora). Então nem a proposição I nem a proposição II são necessariamente verdadeiras e não ajudam mais do que as outras versões do problema lógico ajudavam. Então o último silogismo também não sobrevive a defesa do Livre Arbítrio. É logicamente possível que as proposições estejam erradas:


•    (3) Deus é todo poderoso, todo bom e odeia o mal;

•    (3.1) Se Deus é todo poderoso, então pode criar qualquer mundo que desejar: FALSO. Há pelo menos alguns mundos que Deus não pode criar, mesmo que não deixe de ser onipotente.
•    (3.2) Se ele pode criar qualquer mundo que desejar, então ele iria preferir um mundo sem nenhum mal: FALSO. Depende do antecedente, que demonstramos não ser verdadeiro; também depende da impossibilidade do mal servir a um bem maior, que é uma opção logicamente possível;
•    (4) Mas o mal existe.
•    (5) Logo, Deus não existe: Falso. Não segue necessariamente. Portanto, a existência de Deus é compatível no nível lógico com a existência do Mal.
Então HÁ uma terceira saída possível para o silogismo. Podemos facilmente revertê-lo em:
•    (6) Deus é todo poderoso, todo bom e odeia o mal;
•    (7) Mas o mal existe;
•    (7.1) Deus é todo poderoso, mas isso não significa que ele pode criar mundos impossíveis;
•    (7.2) Se Deus não pode criar qualquer tipo de mundo, então é possível que ele prefira, dentro os mundos possíveis, um mundo que possua o mal;
•    (8) Então logicamente possível que Deus tenha razões morais 
suficientes para permitir o mal;
•    (9) Logo, a existência de Deus é ao menos logicamente compatível com a existência do Mal;


É muito fácil desfazer do problema lógico do mal. O mero fato de ser possível uma terceira saída não torna a conclusão obrigatória.  E então não segue lógica e necessariamente a incompatibilidade entre Deus e o mal e o ateu não consegue fazer um caso contra o teísmo. Na verdade, podemos até mesmo rever a existência do mal, transformando em um ARGUMENTO para a existência de Deus!


•    (1) Se Deus não existir, então o mal (entendido como algo objetivo, não como apenas um desagrado mental) não existe;

•    (2) Mas todos nós sabemos que o Mal de fato existe;
•    (3) Logo, Deus existe;


Essa é só uma versão do argumento moral. Não vou discuti-la em mais detalhes, mas vocês pegaram o ponto. Recapitulando, então a derrota do problema lógico do mal é definida pelo fato de que:


•    (a) Não há contradição explícita entre Deus e a existência do Mal;

•    (b) A contradição implícita pode ser desfeita exemplificando uma terceira saída possível, ou seja, a contradição baseada em premissas implícitas não é lógica e necessariamente verdadeira;
•    (c) A adição de mais premissas deve ser obrigatoriamente de premissas necessariamente verdadeiras;
•    (d) As premissas adicionais não são necessariamente verdadeiras;
•    (e) Se não são lógica e necessariamente verdadeiras, então o problema lógico do mal, por tabela, é falho;
•    (f) Na verdade, o reconhecimento da existência objetiva do Mal é evidência a favor da ideia que Deus existe, não contra;


Se a argumentação acima for aceita como possível, não há nenhuma contradição. E, de fato, muitos ateus já aceitaram que não há contradição lógica entre Deus e o Mal. É ao menos possível a coexistência dos dois. Então o argumento foi modificado: dada a quantidade de mal no mundo, é improvável que Deus exista ou irracional acreditar que ele exista. Isso nos leva ao problema Probabilístico ou Evidencialista do Mal e não mais ao lógico, que está abandonado.

O Problema Probabilístico do Mal

O problema probabilístico (ou evidencial) do mal, ao contrário do problema lógico que trata da impossibilidade, muda para a questão da probabilidade de Deus existir. É improvável que Deus exista, se o Mal existe; e se é improvável, então não podemos racionalmente acreditar nele. Mas note que há muitas coisas que mesmo improváveis que é  possível acreditar racionalmente. Por exemplo: é bastante improvável que eu consiga dois “Royal Flush”consecutivos Poker. Mas eu levanto as cartas e vejo que tenho um Royal Flush. Eu levanto novamente na próxima rodada e percebo que tenho outro. Então se eu experienciar que tive essas cartas, eu posso racionalmente acreditar que essas foram as minhas mãos, mesmo com a probabilidade intrinseca sendo baixa. Da mesma forma, se fosse o caso do Problema Probabilístico funcionar, se eu experienciar Deus ou tiver um outro argumento para a existência de Deus, eu ainda poderia acreditar nele sem me preocupar com o Problema Probabilístico. Fazer essa concessão é uma forma bastante ruim de começar um argumento e o restante dele, ao meu ver, não consegue nenhum sucesso maior. Vamos ao argumento: ele sentencia que existem eventos ruins. Vamos apenas chamá-los (individualmente) de E”.
E pode ser:


•    (a) O problema da pobreza na África.

•    (b) O problema da existência de doenças.
•    (c) Ou qualquer outra coisa que seja dita como mal.


E, dada a mente de Deus, (com suas razões e motivos, vamos chamar isso de nosso conhecimento de “background”), seria pouco provável ele existir se E. Vamos organizar o raciocínio: Probabilidade de Deus existir dado a existência de um evento E de acordo com nosso conhecimento de background B” = Pr D (E & B). Mas observe que a variável determinante nesse cálculo éB” (Pr D (E & B)). Pr D é o que estamos discutindo; E é apenas a declaração da existência de algo; então tudo se resume a justificar que B é baixo para Pr D também ser. Mas como alguém pode logicamente justificar B? Como, dentro das nossas limitações epistemológicas de capacidade, espaço e tempo, nós podemos julgar e justificar que se não encontramos um motivo imediato, logo Deus não deve ter nenhum? Para melhor ilustrar meu ponto, pense em um geração de macacos um pouco mais evoluídos (mas não muito). Ele é capaz de formular algumas sentenças na sua mente, reconhecer objetos e tem um valor semântico mental. Os seres humanos foram exterminados e um desses macacos, vamos dizer não um ordinário, mas o mais inteligente e habilidoso dentre esses, está explorando cidades em ruínas. Ele eventualmente acaba visitando um departamento de matemática, onde acha um livro de cálculo infinitesimal. Não é preciso dizer para dizer, dentro de sua limitação de capacidade, que ele está muito longe de compreender cálculo infinitesimal: “Eu não consigo entender nada do que está escrito aqui. E eu sou o mais inteligente de toda a minha espécie. Logo (ou provavelmente), isso não tem sentido”. O nosso amigo primata estaria correto? Não. Somente pelo fato de que sua capacidade mental não é a mesma de um Isaac Newton para compreender apropriadamente o cálculo, não segue não há (ou provavelmente não há) sentido. Ele deveria reconhecer sua limitação antes de fazer julgamentos de probabilidade.

Vamos pensar em mais um exemplo. Suponha que você encontre seu vizinho e o filho dele no elevador. O garoto está chorando e diz que o pai o puniu por ele ter andado lá fora. Você pergunta o porquê. “Bom, eu tive minhas razões para isso”. Não surpreendemente, você não consegue achar nenhuma razão para tal. E daí segue que NÃO há nenhuma razão? Como você pode saber os motivos, as razões e o contexto onde esse ato aconteceu? A menos que você tenha acesso a um scan mental daquele homem, então você não está em posição para fazer um julgamento justificado de Bnesse caso, sendo que o pai não é sequer superior a você, mas está na mesma escala de capacidade (em média). E nós estamos muito mais próximos, analogicamente, do primata para homem na relação homem-Deus do que para situações de dois seres humanos iguais. Se há um ser todo sábio e onisciente, ele está muito, muito longe da nossa capacidade para sabermos o quanto é necessário para efeitos que seriam desejáveis, quaisquer que eles sejam.

Victor Stenger comete esse erro no seu “God, The Failed Hypothesis”, ao responder que a ideia de que o mal pode ajudar a provocar algum desenvolvimento humano, dizendo: “Isso poderia ser alcançado com muito menos sofrimento do que o existente no mundo atual.” Mas como fazer esse julgamento se nós não temos as informações de input (entrada) output (saída – o resultado da existência do mal) para testar e saber se a quantidade iria mudar, continuar a mesma ou não? Nós adoramos ser céticos, menos quando é para presumir um argumento contra Deus, não é verdade? Então, como não temos controle epistemológico da variável determinante, então NÃO podemos fazer qualquer julgamento de probabilidade. E, assim, a versão probabilística, que depende unicamente da justificação apropriada de “B”, também apresenta sérios defeitos, tal qual a versão lógica,  ou talvez defeitos até piores. Mesmo ateus como William Rowe admitem a fraqueza do argumento, como mencionado em um artigo: “Eu já penso que esse argumento é, na melhor das hipóteses, um argumento fraco.” Em resumo:


•    (1) O problema probabilístico (ou evidencial) do mal pode ser enunciado como: Pr D (E & B) é baixo.

•    (2) Para saber se é baixo, precisamos de uma justificativa apropriada e forte de que B, a variável determinante, é baixa.
•    (3) Não estamos em posição de justificar B apropriadamente.
•    (4) Portanto, o problema probabilístico falha.
•    (5) Mesmo se funcionasse, ainda seria racionalmente possível acreditar em Deus como é possível acreditar em outros eventos pouco prováveis.
•    (6) Logo, não há razões para pensar que ele funciona e há razões (como o reconhecimento da existência objetiva do próprio Mal) que ele é derrotável.


Conclusão:

O que devemos nos perguntar sempre que observarmos um evento é: “É possível que para “E” a existência de Deus seja real?”. Nós vimos nesses dois artigos que há motivos para justificar que sim e que não há bons motivos para justificar que não. Caso (quase) encerrado.

Observações finais

A primeira é a respeito do problema lógico e a segunda do problema probabilístico. Sobre o problema lógico, alguns levantam a questão do Céu. Não seria ele um mundo possível onde as pessoas nunca fazem nada de ruim? Então, nesse caso, temos liberdade ou não? Temos duas respostas e as duas são aceitáveis. Pode ser que tenhamos liberdade. Mas talvez só seja possível criar um mundo de criaturas sem os “contrafactuais” ruins com uma etapa de seleção anterior (como essa seria). Poderia ser, por exemplo, que só pessoas que entrem livremente numa relação completa de amor com Deus consigam causar-se para não cometer atos maus mesmo com uma liberdade significante. Como Deus dá a opção de entrar ou não nessa relação, seria preciso essa “etapa” para criar um mundo livre sem tais contrafactuais. Se é possível, então ainda não há erros. No segundo caso, pode ser também que seja o caso de perdemos a liberdade de alguma forma. As pessoas, nesse caso, poderiam fazer o sacrífico de parte de sua liberdade para viver com Deus. Mas o sacrífico seria voluntário para os que querem entrar estar lá. Deus dá a liberdade, mas as pessoas podem optar não tê-la (o que seria diferente de Deus tirar a liberdade, é bom frisar) em “troca” de algo. Então essa objeção também falha.

Sobre o problema probabílistico, gostaria de elencar algumas justificativas teológicas (do Cristianismo) para o a existência do Mal que ajudariam a deixar mais clara alguns pontos. Utilizarei como base um artigo do Reasonable Faith. Seriam elas:

A - A moralidade de Deus não é igual a moralidade dada aos humanos: assunto já tratado em um dos primeiros posts nesse blog. Muitos expressam o sentimento de que Deus não poderia determinar a morte de uma pessoa ou permitir o uso do sofrimento. A analogia usada é quase sempre é de um pai que mata um filho. Mas a analogia é falsa. Um pai e um filho estão no mesmo nível ontológico, pois são seres de mesma estatura (seres humanos). O pai só deu origem a outro ser humano, mas não pode dispor dos direitos dele. Já Deus é superior: Ele é o senhor da vida e da morte, então teria o direito de decidir sobre elas (basta lembrar que pessoas, quando discutimos pena de morte, não raro expressam essa idéia dizendo “O quê? Eles pensam que são o que para decidir sobre a vida dos outros? Deus?” ou ainda quando alguém falece: “Bom, Deus devia saber que essa era o melhor momento de levar ele”.) E, considerando a idéia de que Deus determinou a criação, ele nos fez mortais: nós iriamos morrer de qualquer jeito. Então se ele determinasse que prefere que uma pessoa viva 65 anos ao invés de 80 não haveria problema. Só um materialista pode julgar como pior das coisas a morte de uma pessoa, pois no materialismo essa é a nossa única chance e fim; mas se Deus existe, obviamente esse não é o caso.

B - O propósito da vida não é a felicidade terrena, mas conhecer Deus: um dos problemas com o Paradoxo é a tendência de achar que o propósito de Deus é criar felicidade para os humanos na Terra. Então se o mundo não é uma maravilha cor de rosa, onde eu tenho tudo que quero, AQUI e AGORA, significa que Deus (meu “call-center” preferido") não existe. A mentalidade moderna de “direitos” (todo mundo tem o direito de exigir qualquer coisa, por mais absurda que seja) e do “o importante é ser feliz” não possivelmente pode ter agravado esse pensamento. Mas no Cristianismo, isso é falso. Nós não somos os “cachorrinhos poodle” de Deus e a meta não é a felicidade nesse mundo, mas o livre conhecimento de Deus, que representa, em última instância, a maior e mais perfeita felicidade e completude humana de todas. Então momentos de dificuldade e tristeza na nossa vida podem ser justificadas como uma forma de baixarmos a guarda e nos reaproximarmos de Deus de forma mais estreita e duradoura o que, no fim das contas, é a melhor das coisas.

C - Conhecer Deus é o maior bem de todos: Conhecer Deus, uma fonte ilimitada de amor e compaixão, é um bem incomparável e o maior possível de toda a existência humana. Os sofrimentos dessa vida não são absolutamente nada comparados ao que seria o amor de Deus uma vez que estivessemos em uma relação livre com ele. Então uma pessoa que, no fim das contas, acaba conhecendo Deus poderia dizer, sem chances de arrependimento, não importa o quão dura fosse sua vida, não importa quantas dificuldades passou, “Deus é bom” – justamente pelo fato que nenhum mal chega perto de se equiparar ao conhecimento de Deus.

D - O conhecimento de Deus se estende na vida eterna: Segundo o Cristianismo, essa não é a nossa única vida. Todos aqueles que confiam e dedicam sua salvação à Deus terão acesso à vida eterna de uma felicidade incomparável. E quanto mais tempo passamos na eternidade, mais e mais aqueles momentos de sofrimento parecem apenas um momento minúsculo e infinitamente insignificante perto do que teríamos na nova situação. Imagine um mendigo que precise trabalhar duro durante um minuto para ficar para sempre numa ilha paradisíaca. Por maior que seja sua aversão ao trabalho, os benefícios fariam impossível ele reclamar desse breve momento de dedicação.

E - Crianças e mal natural: Muitos perguntam: “Mas e as crianças que morrem em desastres ou semelhantes?”. Observe que essa reclamação, como explicado acima, só serviria no materialismo, pois aí sim seria a única vida que temos. Não sendo esse o caso, podemos reclamar de uma criança que viveu pouco inevitavelmente? Talvez fosse o momento de Deus levá-las. Também é possível que nosso mundo esteja ajustado com uma quantidade de sofrimento (natural ou não) que permita o maior número de pessoas possível livremente aceitar Deus – poderia ser o caso de que menos pessoas (incluindo as próprias crianças) livremente iriam se salvar se elas não partissem agora e que mais pessoas entrariam na perdição eterna. Então, lembrando dos itens acima, esse seria um motivo justificável para crianças que vivem pouco.

F - Deus não fica parado, ao contrário, ele trabalha pela salvação de todos: de acordo com a visão de mundo cristã, Deus não fica parado olhando para as coisas ruins que acontecem aqui embaixo e dizendo: “Hm, é, isso aí.” Pelo contrário. Ele teria um papel ativo todos os dias tentando fazer as pessoas aceitá-lo e aproveitando oportunidades para pessoas abertas a Ele se aproximarem. Ele também aceitou sofrer numa escala sem precedentes para pagar nossos pecados. Então dependeria de nós aceitarmos sua redenção e seu convite,e nos livrarmos do mal que nos aflige para sempre. Essas são algumas abordagens teológicas para a existência do Mal. Sempre haverá mais alguma teodicéia ou defesa que mereçam notas, e você pode ler mais livros e pesquisá-las. Então o Paradoxo de Epícuro e o problema do mal estão refutados.

Referências:
https://projetoquebrandooencantodoneoateismo.wordpress.com/outras-postagens/


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117 comentários:

  1. O Paradoxo de Epícuro é facilmente refutado com o conceito de nadificação do mal. Assim como a escuridão é a ausência de luz e o frio é a ausência do calor, assim também o mal é a ausência do bem. O único contra argumento ateísta é que a luz e o calor são coisas existentes, mas o bem e o mal não são coisas existentes e, portanto, seria uma falácia "Anedota falha". O erro desse contra argumento é não perceber a particularidade da língua portuguesa de coisificar as qualidades. produzindo um grande número de substantivos abstratos. Na realidade, o bem é tudo aquilo que tem a qualidade de bom e o mal é tudo aquilo que tem a qualidade de mau. Ou seja, o bem e o mal são qualidades e não uma coisa que existe ou inexiste. Então, podemos dizer que a luz é boa e a escuridão é má e o calor é bom e o frio é mau. Porém, também podemos dizer que a luz forte direta aos olhos é má, porque nos cega e o calor forte no corpo humano é mau, porque nos queima. Nesse caso temos um conflito entre ordem e caos: O calor e a luz forte pode levar o corpo humano da ordem para o caos, ou seja, destruindo - o. Levando ele da existência para a inexistência, do tudo para o nada. O caos pode ser definido como o fase que a ordem passa pra chegar ao nada. A ordem faz parte de tudo e o caos faz parte do nada. Aquilo que nos leva a ordem perfeita nos leva ao tudo e é bom e aquilo que nos leva ao caos total nos leva ao nada e é mau. Enfim, podemos entender que o mal é o nada e, portanto, é inexistente por si só. O bem é tudo e portanto é existente por si só.
    Contudo, há na tradição cristã um ente que foi expulso de tudo e se tornou o Senhor do nada. Dessa forma, há um ente no mal, há uma mente no nada, com uma lógica produzindo o caos na ordem. Sendo assim, o mal encontrou uma forma de existir fingindo ser o bem, ou seja, o nada finge que é algo para ser alguma coisa. É por isso que nós só aceitamos a mentira quando ela finge ser verdade. Nós só aceitamos o ódio quando acreditamos que ele é o amor próprio. Nós só aceitamos destruir quando acreditamos que estamos construindo alguma coisa. Nós só aceitamos a infelicidade quando acreditamos que estamos em busca da felicidade. O mal para existir precisa fingir ser. Quando percebemos que aquela verdade era mentira a mentira acaba. Se nós percebêssemos que estamos destruindo, parávamos de destruir. Se entendêssemos que a felicidade terrena é apenas uma ilusão, não a buscaríamos a todo o custo e, assim, evitaríamos tantas decepções que nos trazem a verdadeira infelicidade.
    No princípio, tínhamos apenas o conhecimento do bem e Deus nos avisou que se obtivéssemos também o conhecimento do mal iríamos morrer. O mal fingindo ser o bem enganou o ser humano para conhecê-lo. A partir do momento em que obtivemos o conhecimento do bem e do mal percebemos a sua ação sobre a ordem de Deus, a ordem se direcionando ao caos. Observamos os atos sendo tragado pelo nada, mas existindo ainda como potência que se ordenava em um novo ato. Dessa forma, o Senhor do tudo demonstra sua onipotência sobre o Senhor do nada e o derrota. Porém, o ser humano, ao perceber tudo isso, possou a sentir o passar do tempo, que não é nada mais que a ordem seguindo para caos. O mal passou ter poder sobre nós e assim a nossa ordem passou a se direcionar para o caos, como toda a matéria no universo e nos tornamos mortais.

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    1. Muito bom, ótimo exercício de raciocínio crítico e analítico, parabéns! Sinta-se à vontade para compartilhar mais em nosso blog, bem como opinar e nos fornecer sugestões e críticas. Abraços!

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    2. Andrei, ainda que o mal pertença ao nada, nós nunca podemos subestimar a complexidade de seu engano. Afinal de contas, se esse ente que governa o nada algum dia achou-se tão poderoso ao ponto de superar Deus no todo, é porque ele viu em si essa possibilidade. Segundo a tradição cristã, esse ente esta acima de todos os demais entes e apenas abaixo do próprio Deus. A absolutividade da benevolência de Deus faz com que todo ente criado por Ele tenha liberdade sobre sua própria consciência. Esse ente criado por Deus achou que poderia se tornar o Senhor do bem, ou seja, o Senhor do todo. Porém, esse ente cometeu um único erro. Ao intitular-se Senhor do todo, ele teria que renunciar o próprio Todo que é Deus e inevitavelmente tornou-se o Senhor do nada. Esse erro foi cometido, porque esse ente, embora muito perfeito, não tinha a perfeita humildade máxima dos entes que só pertence a Deus, pois somente Ele pode ter o grau máximo de perfeição dos entes. A carência dessa máxima perfeição de humildade induziu esse ente ao engano, e o jogou ao nada, onde não tem mais volta, porque ele já não mais faz parte de Deus. O engano fez esse ente errar, e é com esse mesmo engano que ele tenta os outros entes de Deus, como fez com o próprio ente humano ao induzi-lo acreditar que poderia ser como Deus. O ente humano também errou, e a consequência de seu erro foi a mortalidade e um caminho para o vazio, que é governado pelo Senhor do nada. Por alguma razão que nós não entendemos, Deus amou o ente humano mais do que amou aquele ente quase perfeito e manifestou sua mente em matéria orgânica, a qual está submetida a ação do próprio caos, para salvar o ente humano do caminho ao nada. Enquanto grande parte das religiões acredita que o ser humano precisa fazer um sacrifício de morte a Deus como prova de seu amor para com Ele, o cristianismo acredita que o próprio Deus foi quem fez um sacrifício de morte para provar seu amor para conosco. A vida e a morte de Jesus Cristo é uma prova do amor de Deus com o ente humano e a prova também que Ele quer nos salvar do nada absoluto, do vazio eterno, endereço do Senhor do nada e dos demais entes enganados por ele.
      O motivo para que o ente humano seja tão especial para Deus é um mistério que eu acredito não ser de conhecimento dos demais entes, tanto para aqueles que fazem parte do todo, fazem parte de Deus, como também para aqueles que fazem parte do nada, fazem parte do Senhor do nada. Ao que parece, a finalidade do ente humano é a arte. Nós somos artistas por natureza. A primeira obra de arte que criamos foi a linguagem. A linguagem humana nunca foi somente um código de comunicação. Alguns animais também usam códigos de comunicação, mesmo que simples, como por exemplo os lobos que uivam par demarcar territórios, os cães que rosnam para comunicar irritação e algumas espécies de mamíferos aquáticos que possuem códigos de comunicação complexos. Porém o ser humano é o único ser que usa a linguagem como arte. Com a linguagem produzimos hinos, literatura; representamos o belo e a feiura, a perfeição e a imperfeição, a ordem e o caos, o bem e o mal. Nós fazemos artes para criar nossas moradias - arquitetura...Até em nossa alimentação desenvolvemos artes - gastronomia. Toda a ação humana produz uma forma de arte. Mesmo que algumas de nossas obras sejam funcionais, elas jamais deixam sua essência artística. Não sei se Deus criou o ente humano apenas para "brincar" com os produtos de suas propriedades interna, mas se eu tivesse que "chutar", esse seria bom "chute".

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    3. O problema do mal resumidamente é um dilema: Se o mal existe, Deus não existe. Se Deus existe, o mal não existe. Simples, não?
      Todavia, eles não são necessariamente excludentes. Embora sejam entes opostos, Deus e o mal podem existir simultaneamente sem contradições. Não há nenhuma contradição explícita entre eles. Na apologética cristã, poderia argumentar que o mal precisaria de Deus para existir, afinal, enquanto Deus é um ser necessário por definição, o mal é contigente (Não possui razão própria de existência). A princípio, acreditar nessa hipótese seria um absurdo, ora, um ser definitivamente bom realizar coisas más é uma contradição; porém, na apologética há várias respostas críveis para o problema do mal, a respeito delas, posso mencionar as três mais conhecidas: Defesa do livre arbítrio, defesa do propósito desconhecido, defesa da inexistência do mal por si só, isto é, o mal não existe por necessidade lógica, ele foi criado, etc. Enfim, creio que o problema do mal é um argumento, no fim das contas, desacreditado.

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    4. Não é verdade, Andrei Santos?

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    5. Não está certo?

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    6. Eu prefiro responder à questão da seguinte maneira: o mal não existe em um mundo subjetivo, mas apenas em um mundo objetivo. O mal existe. Logo, estamos em um mundo onde há objetividade de valores.

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    7. Está na cara que valores objetivos existindo em um mundo subjetivo é uma contradição.

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    8. Há boas razões para se acreditar na validade e veracidade dos valores? Qual será a base para que possamos julgar algum ato como certo ou errado? Será nossas opiniões infundadas por hábitos culturais?

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    9. Deus pode criar o mundo que quiser, portanto, preferiria um mundo em que não houvesse mal algum.
      1- Como o ateu sabe disso?
      2- Qual a base ateísta para a existência do mal? Desgosto?
      3- Deus criaria um mundo em que não houvesse mal algum somente se ele não tivesse propósitos para nós
      4- A conclusão ateísta é equivocada e não obrigatória, logo, falha para refutar Deus

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    10. Ao que parece, o problema é emocional. Dúvidas quanto a isso? Pergunte para qualquer um dito ateu o que significa Mal, Sofrimento e Deus em termos filosóficos.

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    11. Males e valores estão correlacionados filosoficamente? Se estão, os ateus que defendem o problema do mal estão contrariando sua própria posição, bens e males não existem num mundo naturalista possível.
      Conclusão:
      O problema do sofrimento defendido arduamente por ateus fanáticos é simplesmente desgosto quanto a índole justa de Deus. Pessoas que se dizem atéias e defendem o problema do mal não são verdadeiramente atéias, são teístas inconformados com a posição de Deus (Opinião minha).
      A natureza é simplesmente cruel e indiferente, não havendo, portanto, nenhum BEM ou MAL... (Richard Dawkins).

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    12. http://m.youtube.com/watch?v=ZxUg7_mNjHE

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    13. Tiago vc foi simplesmente fantástico na base argumentativa... parabéns...

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  2. Olá autor do blogue.Você tem mente aberta?Bem,me parece que sim pois li seus raciocínio s incansáveis.Isso é bom!Parabéns!


    Bem,eu tenho informações que acho que são úteis.Informações muito importantes sobre diversos tópicos.A existência do sofrimento.O por que de Deus ter criado Adão e Eva e ter permitido que o Diabo exista.Informações sobre a presciência e etc.

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  3. Bem,se VC se interessar por esses esclarecimentos de assuntos muito importantes,caso queira fazer um estudo sobre,acredito que posso te fornecer informações vitais embora não sejamos nada e Deus seja tudo.


    VC tem uma mente muito boa.Se vc concordar com as coisas que eu posso postar,nesse caso prosseguirei com o restante.O que acha?

    Eu achei muito interessante a sua maior prova a favor da existência de Deus!

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    1. Informações são sempre bem-vindas! Obrigado pelo comentário e pelos elogios. Estarei à espera das informações, obrigado.

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    2. E aí, já leu os posts abaixo? Boa noite.

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  4. O que pensa a respeito de ateus, Andrei Santos? Acha que seus argumentos são auto destrutíveis? Não há nenhum argumento sequer que a conclusão seguida seja Deus não existe? Ateus são iludidos que se vendem como intelectuais? O que acha a respeito?

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    1. Boa noite. Embora a minha opinião com relação aos ateus seja irrelevante, penso que a maioria o é, não por conta de argumentos lógicos, mas por problemas aparentemente contraditórios no mundo, como o próprio mal ou até mesmo o relativismo. Se há de fato algum argumento naturalista que obteve sucesso, eu desconheço, mas, sinceramente, acho altamente improvável que haja um, tendo em vista os argumentos que temos do lado do teísmo, como a impossibilidade de uma regressão infinita de eventos passados, o argumento cosmológico Kalam, o argumento Moral, o argumento ontológico e argumentos teleológicos. Se ser racional é adotar o lado que mais pesar na balança da razão, logo, por que tanta resistência diante de tantos argumentos superiores? Não acredito que sejam iludidos, mas que, em suas posições, dados os argumentos, estão equivocados. Isso é o que eu tenho a dizer sobre esse polêmico assunto. Obrigado pela pergunta.

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    2. http://tratadonaturalista.blogspot.com.br/2013/01/uma-simples-declaracao-sobre-o-problema.html?m=1

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    3. http://www.universoracionalista.org/o-problema-do-mal-uma-introducao/

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    4. https://m.facebook.com/comment/replies/?ctoken=865207103563112_865215186895637&count=19&showcount=19&ft_ent_identifier=865207103563112&gfid=AQC8LxF3T3rQZE7O

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    5. http://logosapologetica.com/o-problema-do-malparadoxo-de-epicuro-o-que-ele-realmente-e-e-a-visao-de-brian-davies-sobre-o-assunto/

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    6. http://neoateismodelirante.blogspot.com.br/2014/07/o-problema-do-mal-paradoxo-de-epicuro.html?m=1

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    7. http://filosofiaateista.blogspot.com.br/2013/10/argumento-anti-benevolencia-do-deus.html?m=1

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    8. http://filosofiaateista.blogspot.com.br/2013/02/paradoxo-de-epicuro-o-problema-do-mal-e.html?m=1

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    9. Obrigado pela resposta. Gostaria que você desse uma lida nestes sites e, se possível, fizesse uma análise.

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  5. Sou agnóstico e procuro estudar religiões. Seu site é ótimo e parabéns por ele. Abraços.

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  6. http://filosofiaateista.blogspot.com.br/p/argumento-da-impossibilidade-de_5953.html?m=1
    O que acha destes argumentos, Andrei Santos?

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  7. https://m.youtube.com/watch?v=BeKxQpkGWSw

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  8. https://googleweblight.com/?lite_url=https://rebeldiametafisica.wordpress.com/2011/11/09/o-desafio-do-deus-malevolo/&lc=pt-BR&s=1&m=871&ts=1440292952&sig=APONPFm87SZOhoTNHwV6Q9pVbjdys0TgXw

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  9. "Não podemos provar que Deus existe, mas é improvável que exista".
    Oras, improvável não é o mesmo que ter certeza, e enquanto não se têm certeza, não se pode dizer que que qualquer crença esteja errada.

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  10. https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Problema_do_inferno

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  11. https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Problema_do_mal

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  12. https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Paradoxo_de_Epicuro

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  13. http://teonismo.wikia.com/wiki/Argumento_do_mal

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    1. http://www.pleaseconvinceme.com/index/Natural_Evil_Proves_There_is_No_God?_ga=1.198616303.1982894489.1441907931

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  14. Só porque há inconvenientes na vida, não significa que Deus seja o responsável.

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    1. O fato de haver inconvenientes na vida NÃO refuta a existência de Deus.

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  15. Os seres humanos nomeou, separou o qua já existia, separando de acordo sua moral, cultura, religião e seus interesses, o que é o bem e o que é o mal. Na natureza ha os opostos,quando surge uma força, aparece seu oposto, uma prescisa da outra, para o equilíbrio. Os animais matam os seus rivais, e os predadores fazem suas presas sofrerem, separando na pespectiva, mal de um bem de outro. Surgiu a vida, prescisou namear seu oposto, a morte. Sem o equilíbrio da morte, todos os seres vivos viveriam para sempre, superpovoando a Terra e acabando com seus recursos e os carnivoros não poderiam alimentar-se. Nomeou o dia, e a sua falta de noite, mais o dia para os seres diurnos em atividades e noite para descanso e atividades dos seres de habitos noturnos.O sofrimento é mal, mais serve para nos tornamos fortes e batalharmos por um objetivo.O bem e o mal pertence a Deus, em suas mãos se chama justiça, a criatura não pode julgar seu criador.Tudo foi feito para ser assim, exemplificando através da Biblia, já se sabia que o anjo se tornaria Satanás, e a árvore da ciência do bem e do mal foi deixada com um objetivo.

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  16. Neste vídeo mais alguém também questiona as proposições do paradoxo de Epicuro: https://youtu.be/hEPDED1WYxY

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    1. Eu já havia assistido a esse vídeo anteriormente. Muito bom, realmente.

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    2. Talvez o maior problema para o problema do mal como argumento de valia é simplesmente ele ser abordado feito um questionamento, nunca ouvi falar de um ateu que tratou o problema do mal em estruturas modais lógicas (embora existam).

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    3. Um questionamento como justificativa para NÃO aderir ao Teísmo

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    4. Eu geralmente ofereço um dilema ao ateu:
      Deus é definido como excelentemente justo, sua criação faz da justiça uma prática??
      ...

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    5. O maior problema do mal, ao meu ver, é abordar algo que não existe no naturalismo. O argumento é errado desde a sua concepção.

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  17. Se nos conformamos com a idéia de que Deus é senhor de tudo, a origem de tudo, resolvemos o problema de onde surgiu o bem e o mal. O bem e o mal são duas forças oposta, duais, que se complementam naturalmente como parte da vida dos seres.Exemplos de dualidades que se equilibram, dando sentido ao outro: doce e azedo, dia e noite, vida e morte, saúde e doença, guerra e paz, etc. Pense bem, não é como o ser humano quer ,uma utopia, na sua imaginação, mais a realidade é que a vida e feitta de momentos bons e maus, com objetivo de batalharmos e nos aperfeiçoarmos, sempre a procura do melhor, o lado do bem.

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  18. Deus pode criar o mundo que quiser, portanto, preferiria um mundo em que não houvesse mal algum.
    A princípio, lógico, pois Deus estaria sendo condizente com sua natureza.
    Em última instância, Deus é responsável por tudo o que existe, pois criou o universo do nada (essa é a justificativa ou suporte).
    Tudo o que existe incluindo o livre arbítrio
    Então devemos concluir que o mal não somente existe como também faz parte dos planos de deus

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  19. Só porque existem pessoas que causam sofrimento às outras, não implica que Deus é responsável por isso.

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  20. Se Deus é o responsável por nossa liberdade então devemos concluir que:
    1- Ele criou o universo para ser habitado por criaturas livres
    2- Criou a liberdade
    3- Criou o universo do nada
    4- Criou algo contrário a sua natureza benevolente, ou seja, o Mal
    5- Criou desgraças

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    1. A premissa 4 e 5 não se sustentam. Deus não criou o mal, pois este é apenas a ausência do bem. Não obstante, ele ter permitido que o mal entrasse no mundo pode ser entendido sob a perspectiva de suas razões morais.

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  21. O Universo estava contraído/comprimido num minúsculo ponto e por alguma desconhecida razão ele está se expandindo e esfriando desde então.
    A distância curta entre dois pontos é uma linha reta
    1- Ou Deus é todo bom ou todo poderoso
    2- O mal existe
    3- Portanto, Deus não é todo bom.
    1- Deus é todo bom e todo poderoso
    2- O mal existe
    3- Portanto, Deus não é todo bom embora seja todo poderoso.

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    1. Não deveríamos concluir que Deus não é todo bom embora seja todo poderoso?
      A razão dessa conclusão é porque Deus permite a existência do Mal, ou seja, deixa o Mal continuar existindo.
      Porque Deus faria isso?
      Se Deus permite a existência do Mal num mundo possível não deveríamos concluir que Deus não é todo bom?
      Pois permite que exista Mal, ou seja, ele está contradizendo sua própria natureza.

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    2. Não entendi a ligação das premissas. Antes de querermos argumentar sobre o mal, devemos definir sobre que tipo de mal estamos falando. O mal moral parte das pessoas, e não é possível retirar o mal sem ferir o livre-arbítrio. O mal natural não é um mal em si. Outra opção: Deus possui razões morai suficientes para permitir o mal no mundo. Outra razão: O mal não pode ser explicado senão pela existência de um parâmetro inverso e objetivo: o bem.

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  22. O mal não é o antônimo do bem como deus poderia permitir a existência de algo contrario a sua vontade

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    1. Mais uma vez, devemos ter em mente que o mal é ausência de bem. O fato de Deus permitir que o mal esteja no mundo pode ser entendido pelas suas razões morais.

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  23. 1- Ou Deus é todo bom ou todo poderoso
    2- O mal existe
    3- Portanto, Deus não é todo bom.
    Significa que Deus não pode ser simultaneamente todo bom e todo poderoso.
    Em última instância, Deus é responsável por tudo o que existe, pois criou o universo do nada (essa é a justificativa ou suporte).
    Tudo o que existe incluindo o livre arbítrio
    Então devemos concluir que o mal não somente existe como também faz parte dos planos de deus.
    Que planos são esses hein
    Se Deus permite a existência do Mal num mundo possível não deveríamos concluir que Deus não é todo bom?
    Pois permite que exista Mal, ou seja, ele está contradizendo sua própria natureza.

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  24. Vivemos num mundo onde existe a possibilidade de boas e más escolhas, e temos o livre-arbítrio para escolher o que queremos fazer, pois somos seres livres. Mas todas as escolhas possuem consequências!
    O fato de que pessoas usam seu livre-arbítrio para fazer o mal, não contradiz a Onipotência ou bondade de Deus.

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  25. Se Deus pode impedir o mal, e se ele é perfeitamente bom, deve evitar o mal. Se Deus é todo-poderoso, então ele pode impedir o mal. Mas Deus não impede o mal. Assim, nós devemos concluir que Deus não é perfeitamente bom ou não é tão poderoso assim. O raciocínio é perfeitamente traduzível em lógica proposicional e se prova facilmente válido.
    1- Deus é perfeitamente bom.
    2- Deus é todo-poderoso
    3- Deus não impede a existência do mal natural e moral

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    1. Obviamente, esse dilema esconde uma premissa: Deus permite o mal. As razões por qual ele permite estão presentes no artigo. Por favor, leia-o.

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  26. Independente de ser ateu ou não, o mal é um fato! A pergunta é simples; porque Deus não criou o livre arbítrio sem o mal? E a conclusão, mais simples ainda: se não podia fazê-lo, a sua onipotência cai por terra.

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    1. O mal não existe no ateísmo. Entenda o porquê: https://pt.scribd.com/doc/305765927/O-Dilema-Moral-Do-Ateismo-A-Santos

      Com relação a sua pergunta, é ainda mais simples: porque é impossível, a luz da lógica conceder liberdade e retirá-la ao mesmo tempo. É pedir que Deus crie um círculo-quadrado ou um solteiro-casado. Se Deus criasse um mundo sem o mal, as pessoas estariam moralmente obrigadas a fazer o bem. Isso é livre-arbítrio? O bem sequer faria sentido, afinal, o bem só faz sentido se o mal existir. Do mesmo modo, nós só sabemos o que é uma linha reta se houver uma paralela. O mal é, portanto, consequência do livre-arbítrio. Se este não existisse, nós seríamos meras marionetes. Imagine o quão ilógico isso seria! Não faria sentido criar um mundo de marionetes. Logo, a resposta nos é evidente: Deus só poderia criar um mundo com criaturas livres. O mal é fruto das escolhas das criaturas livres. Logo, é perfeitamente concebível Deus criar um mundo onde o mal existe. Lembrando que onipotência é fazer tudo aquilo que é LOGICAMENTE concebível.

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  27. "O ônus da prova no Problema do Mal é do ateu que o propõe, não do teísta". Existem coisas que são autoevidentes. O mal no mundo é evidente, pois há carências de toda a sorte, sofrimento de aqui e acolá, aflições constantes em todo o ser vivente. Logo, não é preciso provar a existência do mal; ele é um fato que se apresenta à intuição, e o que aí se dá não necessita de prova lógica, pois é de outra natureza: dá-se como uma síntese da percepção.

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    1. Caso esteja falando da existência do mal em uma cosmovisão naturalista, suas percepções não passam de meras ilusões. O naturalismo não comporta conceitos como bem e mal: https://pt.scribd.com/doc/305765927/O-Dilema-Moral-Do-Ateismo-A-Santos

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    2. Tu vens com categorizacoes ("cosmovisão naturalista, no caso) pensando que com isso, juntamente com links, estás a refutar uma declaração. Não estou implicado num realismo ingênuo ou mesmo naturalismo. Falo do que se apresenta na intuição de todo e qualquer sujeito do conhecimento autoconsciente. E, por favor, não se ponha a refutar a autoconsciência via links ou categorizacoes que, de antemão, irás demonstrar desprezo. Isso o que tu fazes aqui é uma falácia. Coisa feia.

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    3. Falácia do desprezo? Parabéns pela criatividade. No entanto, você não está dizendo nada ao afirmar que conhecemos intuitivamente objetividades como bem e mal. O ponto é que não há outra maneira de explicar tais conceitos no naturalismo. É inútil debater sobre algo que não existe no naturalismo no intuito de demonstrar que o naturalismo é verdadeiro.

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    4. Uma pergunta: de onde deriva essa intuição de coisas como bem e mal? Onde essa intuição se fundamenta?

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  28. Sim, notifique-me quando postar sua resposta (se é que terás uma).

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  29. Há inúmeros erros básicos em seu texto. P.ex.: "a moralidade de Deus não é igual a moralidade dada aos humanos". Bom se não é igual, então por que chamá-la moralidade? Se não é igual, então é outra coisa. Neste caso, de-lhe um outro nome.
    Outro: Se a meta neste mundo não é ser feliz, e sim conhecer Deus, e conhecer Deus é a maior alegria que podemos ter neste mundo, segue-se que a meta deste mundo é ser feliz. Só alguém muito limitado não percebe a contrariedade nessa passagem do texto.

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    1. Esse trecho quer dizer que a "moralidade" de Deus é sua natureza. Entenda moralidade como valores morais. Deus existe na condição de sustentação desses valores. Já a moralidade humana é fruto da interpretações desses valores. O seu senso de interpretação é surpreendentemente falho. A meta desse mundo não é ser feliz MUNDANAMENTE (tal como buscar a felicidade no dinheiro ou no prazer), mas a verdadeira alegria seria conhecer a Deus. Não custa nada ler com cuidado antes de fazer acusações vazias.

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    2. Novamente, petição de princípio: só que aqui você usa o verbo ser no subjuntivo novamente: a verdadeira alegria "seria" conhecer Deus. Humm sei.
      Não estávamos falando de seres humanos, que vivem neste mundo e que têm a chance de conhecer a Deus via sua palavra e seus missionários, etc.? Então, não seria conhecê-lo neste mundo? E conhecendo-o neste mundo, não seria o mesmo que dizer: a finalidade humana na terra é ser feliz plenamente (uma vez tendo conhecido a Deus)? Claro que seria, mas você, para se salvar deste pensamento errôneo, usa uma petição de princípio.
      Como disse já: bem ao estilo Olavo de Carvalho.

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  30. "Crianças e mal natural...". Afinal qual é mesmo a sua justificativa lara a morte de crianças? Você apenas listou conjeturas, arrematando ao final como se tivesse apresentado várias respostas, porém conjeturas não são respostas. Afinal qual é o motivo mesmo?

    "Deus não fica parado, ao contrário, ele trabalha pela salvação de todos". Ora ficar parado ou permanecer em movimento pressupõem imperfeições. Deus não pode ser imperfeito. Logo estamos diante de um outro erro básico do texto acima. Não estou certo? Sabe que estou. Você quer aplicar a lógica em algo que é ilógico, i.e., a ideia de Deus. Daí haver tantos erros.

    "Então o Paradoxo de Epícuro e o problema do mal estão refutados." Tem certeza? Com um texto repleto de erros e você acha que refutou mesmo? Pelo amor de Deus. Continue estudando. Principalmente lógica em seu caso.

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    1. Basta uma resposta coerente para quebrar o paradoxo. Mais uma interpretação absurda e digna de rechaço: "Ora ficar parado ou permanecer em movimento pressupõem imperfeições". Recuso-me a acreditar que você interpretou uma frase metafórica em um sentido literal para ganhar um debate. Por educação, irei explicar o sentido da frase: Deus não apenas observa tudo acontecer, mas age em prol da salvação. Desde quando agir pressupõe imperfeição? Por favor, antes de vir com acusações sem fundamentos e vômitos arrogantes, leia melhor o texto.

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    2. Aliás, aqui é você quem não respondeu a uma pergunta e eu a recoloco: "Afinal qual é mesmo a sua justificativa para a morte de crianças?" Ou vai ficar com suas conjeturas, todas escritas no modo subjuntivo, pensando que deu uma resposta? Vai lá, tente extrair de seu comentário mais acima uma resposta decente.

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    3. Respondendo: depende do tipo de mal que estamos falando. Se é o mal moral, a justificativa não está em Deus, mas nos seres humanos, ao passo que o mal moral provém da ESCOLHA moral, que por sua vez, é fruto do LIVRE-ARBÍTRIO. O assassinato de uma criança, portanto, é responsabilidade do agente moral que pratica tal ato por livre vontade.

      Se estamos falando do mal natural, devemos observar que não há nada de mal, por exemplo, com uma placa continental deslizando sob outra e nem com o tremor de terra como um resultado. Tais eventos naturais são, eles próprios, eticamente neutros; a moralidade não se aplica às rochas e chuva e vento. Pelo contrário, se há algo de ruim sobre tais acontecimentos, é que os seres humanos são pegos neles. E isso é fruto da escolha do agente somada às probabilidades do acaso de estar em um determinado lugar no exato momento do evento x. Aqui, ainda acrescento que Deus poderia permitir a morte de pessoas em acidentes naturais de modo que um número n de pessoas possam livremente conhecê-lo e encontrar a vida eterna. Essa é uma das muitas justificações plausíveis e aceitas hoje no que tange à permissão do mal natural.

      Agora, a minha pergunta: qual é a base objetiva que você utiliza para sustentar que o assassinato de uma criança, a título de exemplo, é algo ruim?

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  31. Um outro erro básico no texto está no título: "O Paradoxo de Epícuro (Análise e Refutação)". Coisa horrível. Corrija isso!

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  32. Bah, além ignorante ele crente você demonstra burrice: corrija o erro no título, assuma os demais erros por mim apontados evitando cair em novas falácias e equivocos que você já assimilou nestes tantos anos de "catolicismo associado com evolucionismo" (como se fossem coisas conciliaveis). Típico de crente burro: quando se vê em meio a contradições, leva a discussão para outro patamar e ignora a contra-argumentação: o conhecimento intuitivo... nem disso você entende. Pobre coitado.

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    1. Os "erros" apontados por você não passam de interpretações débeis de frases simples. Contraditório é você pensar que evolucionismo e cristianismo são mutuamente excludentes. Isso seria verdade se fosse com relação ao naturalismo, vide a postagem mais recente da página. No mais, você não respondeu minhas objeções. Se continuar com os ataques pessoais, estarás banido do domínio. Lugar de criança é na creche. Passar bem.

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  33. Não são "erros", mas erros, sem aspas. Não, o cristianismo oficial, do romano, ao qual suponho que você tenha feito votos de fé, é criacionista, e essa ideia não se coaduna as ideias evolucionistas. P. de Chardin ainda não foi incorporado à teologia oficial. Não fiz ataques à sua pessoa, mas ao seu total desconhecimento de coisas básicas, inclusive quanto ao nome de Epicuro (sem acento, algo simples por natureza). Agora se não você não está pronto a aprender com quem sabe o que é um conhecimento intuitivo, que se prescinde de demonstração formal, se você não está pronto a deixar de lados suas falácias e erros, sem aspas, apontado por mim, se você bani qualquer um que lhe aponte os seus erros, então é melhor me banir mesmo. Porém dormirás lembrando-se disso: você é mais um crente errado (tipo Olavo de Carvalho), que tenta defender racionalmente uma ideia irracional (suprarracional), que é a ideia de Deus todo bondoso, ideia que não cabe na realidade nem em possibilidade. Tenho pena de pessoa assim: crentes evolucionistas. Aff maria. Tenha dó.

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    1. Aparentemente, você não conhece o Catolicismo. A tradição metafórica em questão vem, pelo menos, desde a época de Santo Agostinho. Segundo a interpretação de Santo Agostinho, Gênesis era algo similar a isso:

      1- Deus criou o espaço e o tempo juntos a partir do nada; o tempo é uma ordem criada e a atemporalidade é um dos atributos essenciais divinos.

      2- Há dois momentos na criação: um momento que é o início da matéria primitiva e o outro do desenvolvimento do potencial contido naquilo que foi criado – o que observamos hoje é diferente do que observaríamos no momento da criação.

      3- O Criador permitiu que a ordem natural tivesse a capacidade de criar a vida.

      4- O processo de desenvolvimento é orientado por leis fundamentais que levam a produção dos tipos e qualidades dos seres.

      5- Os vários tipos de vida foram lentamente produzidos durante o tempo, de acordo com a vontade do Criador.

      No mais, você continua assumindo uma postura arrogante, negando que me atacou pessoalmente quando qualquer leitor pode observar isso em seus comentários anteriores (exemplo: "Bah, além ignorante ele crente você demonstra burrice"). Sinceramente. A única coisa que você fez aqui foi vomitar uma superioridade que não existe. Sua arrogância aparece mais do que você mesmo. Nas suas palavras: "Agora se não você não está pronto a aprender com quem sabe o que é um conhecimento intuitivo". Você acha mesmo que refutou alguma coisa com algo do tipo: "Deus não fica parado, ao contrário, ele trabalha pela salvação de todos". Ora ficar parado ou permanecer em movimento pressupõem imperfeições. Deus não pode ser imperfeito."? Desculpe-me a sinceridade, mas essa foi uma das objeções mais ridículas que já vi em toda a minha vida. Essa interpretação é digna de uma criança birrenta de, no máximo, 9 anos de idade. Ah, e minha indagação continua não respondida. Ou responda ou não se dê ao trabalho de escrever mais, pois será banido por ofensa gratuita.

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  34. Um católico apostólico romano citar, hoje, Santo Agostinho?! Não sabe você que a Igreja não é agostiniana, mas sim aristotélico-tomista? Não me faça perder tempo. Vai, agora que "sabe", entre aspas, que a Igreja não adota in totum os pensamentos de Agostinho, e sim de Aquino, estude mais um pouco, refaça o seu texto e seus pensamentos. Depois arrependa-se de seus erros conceituais. Novamente: a Igreja é aristotélico-tomista. Por fim, mas não menos importante: o evolucionismo nada tem a ver com o tempo e espaço físico-matemático e com a temporalidade, e sim com coisas de outra ordem. Não faça ilações, ampliando o sentido da teoria evolucionista para caber, terminologicamente, a ideia bizarra de um cristianismo evolutivo: por dogma, crê-se na criação divina, onde decorrem uma ordem e uma desordem, criador e criaturas, etc.

    "O Criador permitiu que a ordem natural tivesse a capacidade de criar a vida". Não é isso que a Bíblia diz, e você deveria saber disso. Não é isso o que se encontra nas encíclicas, exortações e demais documentos pontifícios. Lá se afirma categoricamente há milênios que Deus é o criador de todas as coisas existentes (inclusive o mal).
    Você é uma pessoa linguisticamente articulada; bem poderia usar sua inteligência latente para trazer alguma contribuição à humanidade, ao seu país, à sua comunidade. Mas não. Em vez disso, fica tentando provar o improvável, demonstrar o indemonstrável (a própria definição de Deus afirma que ele não é passível de provas, tampouco de ser demonstrado... e mesmo assim você se põe a defender, como dito: bizarro).

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    1. A Igreja não é Agostiniana nem Aristotélico-tomista. A igreja é a igreja, dotada da contribuição de milhares de filósofos e santos que a compõem. Caso assim não fosse, a Igreja não adotaria as orações de Agostinho, nem seu método de ensino, o pecado original ou qualquer outra contribuição dele. Que ele interpreta dessa forma e a igreja aceita é um FATO. Até mesmo o Papa Francisco já deixou isso bem claro. Leia Mcgrath pelo menos, por favor. Por fim, evolucionismo tem a ver com a evolução das espécies por meio de mutações e adaptabilidades que vão sendo trabalhadas pela seleção natural. Não há pressuposição do naturalismo ontológico aí, e tampouco são compatíveis. "Não é isso que a Bíblia diz". Nem tudo está na bíblia. E, como sabemos, Gênesis é metafórico. Evolução não é teoria de origem da vida, qualquer pessoa bem informada sabe disso.

      Deus criou o mal? Prove sua alegação, por favor.

      Se você acha que eu estou tentando provar o improvável, por que perde seu tempo aqui?

      "a própria definição de Deus afirma que ele não é passível de provas"

      Então, acredito que você esteja falando de outra coisa.

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  35. "Desde quando agir pressupõe imperfeição?" Pensava que esta era uma pergunta retórica que, como tal, sequer merece resposta. Mas pelo jeito você quer mesmo assim: agir pressupõe movimento no espaço. Ora, Deus não encontra-se no espaço, pois só objetos materiais ou com fundamento neles é que ocupam espaço. Agir pressupõe tempo (a sucessão as ações se dá nos instantes temporais). Ora, Deus é atemporal. Logo, Deus não pode agir tampouco ficar parado, pois isso significaria que ele estaria submetido ao tempo, ao espaço e à lei da causalidade. Uma vez estando submetido a estas três leis, ele seria imperfeito, pois teria elementos a se atualizar (no tempo e espaço segundo a causalidade). Atualizar-se significa vir a ser o que não se era antes, ou a estar onde não se estava antes. Essas afirmações não são atribuíveis a Deus, um ser onipresente (se é que você sabe o que significa a onipresença).

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    1. A única coisa que o agir pressupõe é intencionalidade. Com relação ao tempo e ao espaço, há um grande equívoco de sua parte. A falha fundamental desta objeção é a suposição de que a nossa noção do que é um evento ser simultâneo com outro só fazer sentido dentro de um espaço e do tempo já existente. Tenha em mente que o tempo é dependente de, e explicativamente posterior, à ocorrência de eventos. A razão de o tempo existir é a ocorrência de eventos. Na ausência absoluta de qualquer evento, não haveria um tempo vazio; em vez disso não haveria nenhum momento sequer. Justamente por essa razão, Leibniz considerou que simplesmente não há tempo antes da criação do universo. O Tempo começa no momento da criação. Como Leibniz viu, e com razão, o tempo passa a existir com a ocorrência do primeiro evento, o ato de criação de Deus. O tempo começa a existir porque ocorre um evento. Com relação ao espaço, você pressupõe que o agir é restrito ao material, quando não há nada que nos leve a isso. O espaço não se relaciona com a mente, por exemplo, mas com o cérebro. Logo, você não precisa de espaço para fazer julgamentos morais, por exemplo. A não ser que você ache que é o cérebro quem toma decisões, e não você. No mais, pressupor que o agir é material é pressupor o naturalismo. Logo, você cometeria petição de princípio.

      Por fim, um aviso: seja menos arrogante ("(se é que você sabe o que significa a onipresença)", sob pena de ser ignorado.

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    2. Como você quer ser levado a sério? Dizendo-se evolucionista, ao mesmo tempo crendo num "ato de criação de Deus" (sic), eu só posso dar risada mesmo. Quer ser levado a sério, admita seus erros, corrija-os (começando pelo título do texto ali acima: Epicuro, sem acento) e pare de distorcer a Bíblia e o sentido de termos de uso comum.

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    3. Eu creio em um ato de criação de Deus sim, por MEIO da evolução das espécies, assim como Agostinho de Hipona havia sintetizado no século IV! A evolução é um MEIO e não uma teoria de origem da vida. Do mesmo modo, ela NÃO pressupõe o naturalismo. Francis Collins mandou lembranças. No mais, não adianta chorar.

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    4. Típico de gente ignorante que fala gritando. Falta de laço...
      Não estamos falando de evolução, e sim de evolucionismo e sua relação com o cristianismo. Que ótimo que você sabe que o ato de criação de Deus é uma crença sua. O problema começa quando você quer fazer esta crença um conhecimento justificado.

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    5. Ps: pare de passar vergonha citando o nome de Agostinho. A ICAR agradece.

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    6. Você está especulando que ele não saiba o que significa omnipresente. Ele poderia muito bem saber, não?

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    7. Anônimo, aprenda a escrever em nosso idioma ("omnipresente") e depois eu lhe dou atenção. Abraço.

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    8. Novamente, toda a minha argumentação foi ignorada. Encerro aqui o debate. Boa noite.

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  36. Definitivamente, você é um pobre coitado. "A Igreja não é Agostiniana nem Aristotélico-tomista." Outro erro. Não vou lhe ensinar sobre isso. Se quer aprender, pague-me pelas aulas.
    "Deus criou o mal? Prove sua alegação, por favor." Isso é afirmação que decorre do fato de haver pessoas como você que creem existir um Deus todo-poderoso, criador do Céu e da Terra, e de todo o existente. Logo, são vocês quem tem de provar, não eu. Eu apenas enunciei uma conclusão, não quer dizer que eu a ache verdadeira ou que eu creia nela. No mais, foi você, não eu, quem postou o texto lá em cima (com título errado) para provar que pode haver Deus e o mal sem haver contradição.
    "Se você acha que eu estou tentando provar o improvável, por que perde seu tempo aqui?" Eu não acho que você está tentando provar o improvável. Isso é um fato observável. E fatos (ou como escrevem ignorantes na internet: "FATOS", coisa que não faço) estão aí para todos verem. E todos veem que você defende o indefensável.

    "Então, acredito que você esteja falando de outra coisa." Realmente, você acredita, pois sobre crenças você deve saber bastante, já de outras formas de conhecimento, demonstrou saber pouco.

    No mais, e com isso encerro: no português, adjetivos (aristotélico, nomes de religiões (cristianismo) ou filosofias (catolicismo) são escritas com letra minúscula.

    Agora, se você não se deu o trabalho de corrigir um erro simples no título do texto principal, não tenho esperanças de que você vá começar a corrigir erros ortográficos e redacionais daqui pra frente. De alguém que distorce até a Palavra de Deus para fazer caber as suas ideias bizarras (catolicismo com evolucionismo), eu não posso esperar muita coisa.

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    1. "Se quer aprender, pague-me pelas aulas". Aprender como ser arrogante e argumentar como uma criança de nove anos? Não, obrigado. Entenda, filho, quem afirma algo sobre x deve sustentar o ônus da prova. Faltou às aulas de filosofia?

      Em conclusão, mais uma vez, você sequer tocou em quaisquer pontos das minhas respostas. Preferiu focar nos erros ortográficos e no ataque pessoal. Isso é o que acontece quando não se tem argumentos. Eu já imaginava que seria assim, haja vista a sua arrogância quando fizestes a primeira postagem e que, lamentavelmente, perdura até o presente momento. Boa sorte com essa história de mal no naturalismo. Pelo visto, falta-te (e muito) a leitura de ateus de verdade como Nietzsche, Sartre, Camus e Schopenhauer. Quem sabe lendo-os você entenda de uma vez por todas o absurdo que é postular valores objetivos em uma cosmovisão naturalista. Eles estariam rindo de você nesse momento. Por fim, encerro aqui a minha participação no debate.

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    2. A mim cabe o ônus da prova?!?!?! Uou. Peraí: é você quem diz existir Deus e sou quem quem devo provar a afirmação? Me poupe. Toquei nos erros de linguagem para mostar que sequer isso você domina, quem dirá quanto a coisas sérias como religião e Deus. A sua cegueira é tamanha que faz vista grossa na xara dura, sem ter medo de ser feliz. Que coisa! Você se agarrou na saída "cosmovisão naturalista" e dela nao abre mão. Parece uma criança com um pirulito do Chaves... Novamente: quer que eu lhe mostre conhecer profundamente aqueles filósofos citados? Pague aulas. Eu começo indicando algumas referências básicas.
      Arrogância? Essa é sua avaliação, talvez decorrente das poucas ferramentas conceituais que parece ter à disposição. lamento. Nada posso fazer senão indicar algumas leituras, começando pela própria Bíblia e alguns exegetas contemporâneos. Nem ela vc parece conhecer.

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    3. Você acusa o texto de estar repleto de erros. Pois bem! Mostre os erros, meu caro.

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    4. Como você defende o problema do mal, então, moço?

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    5. "Você acusa o texto de estar repleto de erros. Pois bem! Mostre os erros, meu caro." Claro, você precisa de ajuda, pois não consegue percebê-los por si próprio. Posso começar pelo título do texto?

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    6. Novamente, TUDO o que eu falei foi ignorado. É como jogar xadrez com um pombo... Não adianta.

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  37. É possível que Deus exista.
    Se é possível, então Deus existe em algum mundo possível.
    Mundo possível é o mundo das ideias de Platão? Só porque Deus existe em hipótese ou no mundo das ideias não implica logicamente que ele exista no mundo real. Qual é a justificativa suficiente para isso, meu caro?

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  38. Como compreender Isaías 45.7, Andrei? Não é contraditório e não condizente?

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    1. É só se atentar ao fator da tradução. O mal nesse sentido quer dizer calamidade, e não mal moral.

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  39. http://literatortura.com/2012/11/uma-solucao-para-o-problema-logico-do-mal-se-o-mal-existe-deus-nao-pode-existir/

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  40. As razões para Deus permitir o sofrimento são realmente suficientes???

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    1. Sim, são, haja vista que é um fato que o sofrimento pode levar a um bem maior.

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  41. As razões para Deus permitir o sofrimento são realmente suficientes???

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  42. "Sim, são, haja vista que é um fato que o sofrimento pode levar a um bem maior." A tua ideia de Deus é tão deformada que aqui ela se parece com um deus leitor de Maquiavel, onde os fins justificariam os meios. Medíocre essa ideia divina, não?

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    1. O ponto é: O mal está justificado no teísmo e só faz sentido dentro deste. Agora, novamente, não fuja e responda a minha pergunta: qual é o parâmetro objetivo que você utiliza para sustentar o bem e o mal no mundo?

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  43. Bom, eu posso explicar. Mas você promete tentar entender? Entender é algo que eu não posso fazer por voce. Lá vai: o conhecimento intuitivo. Ah, não sabe o que é isso? Paciência. Só tenho a lamentar. Indico conhecer o básico do empirismo inglês, as duas fases de Wittgenstein e um pouco de senso comum. Confie nos teus sentidos, estes mesmos que te permitem sentir dor ao se queimar com o fogo. Sim, eles mesmos. Sei que vocês teístas têm uma predileção em inventar mundos e deuses; com isso, sei também que vocês tendem a negar a existência concreta deste mesmo mundo onde vivem e que dizem que fora criado por Deus. Vocês podem, como Platão e Agostinho, desgostar deste mundo real, desta criatura aqui debaixo, mas não neguem a ponto de parecerem ridículos escusados na negação in totum do naturalismo. É evidente que você sabe que o mal existe, mas quer me levar a assumir que ele só existe porque Deus existe e o permite para um fim maior. O sofrimento, com Schopenhauer, tem sim um fim sublime de ajudar-nos no caminho à resignação ascética deste mundo; porém isso nada tem a ver com salvação da alma ou felicidade post mortem. A felicidade advinda da libertação dos males deste mundo via resignação e superação das adversidades se dá neste mundo. E isso é que justifica ontologicamente o mal. Bhuuu Não é preciso olhar pras estrelas para explicar algo que está o seu lado e que sente-o diariamente: necessidade, frio, fome, etc.

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    1. De novo isso? Extremamente falho. Demonstras não conhecer nada sobre a visão que segues, mas enfim: o conhecimento intuitivo diz respeito à subjetividade, logo, o bem e o mal continuam sujeitos aos gostos e opiniões pessoais. Isso quer dizer que, nesse cenário, eles não são objetivos, isto é, verdadeiros independente de nossas inferências pessoais. Logo, o estupro de um bebê por diversão tanto pode ser uma coisa boa ou ruim, dada a subjetividade. Não obstante, há outro problema ainda mais grave com sua argumentação. No naturalismo, tem-se que tudo o que existe é material e não há nada para além disso. Logo, conceitos metafísicos como bem e mal já estariam excluídos por natureza. Não obstante, se não há um padrão objetivo (Deus na condição de legislador moral) que sirva como parâmetro para sustentar os valores morais, logo, todas as regras morais ficam a nosso cargo, e, como tal, o naturalista não tem argumento nem forma de classificar situações e comportamentos como “maus”, pois tudo seria questão de opinião e gosto pessoal. Ainda assim, se nossas mentes são subprodutos naturais do acaso sujeitos às leis determinantes e mecânicas da natureza, nosso conhecimento intuitivo também deve, por força da lógica, estar sujeito as mesmas leis. Então, se os elementos materiais fossem os únicos responsáveis pela moralidade, logo, psicopatas como Hitler não teriam verdadeira responsabilidade moral pelo que fazem, pois eles apenas possuem algumas propriedades biológicas substanciais instauradas em seus cérebros sujeitas às leis determinantes da natureza. Ainda assim, é importante ressaltar que a sua visão é especista. Ela dá a entender que o conhecimento intuitivo é parte inata e exclusiva dos seres humanos. Todavia, para o Universo cru, no cenário naturalista, o bem-estar dos seres humanos não é mais importante do que o bem estar de um enxame de mosquitos. No naturalismo, eu, você e todos os animais temos o mesmo valor: nenhum. Todas as nossas ações são moralmente neutras, incluindo estupros e assassinatos. Não há base objetiva para julgar algo como sendo bom ou ruim, pois tudo parte de nossas opiniões e gostos pessoais. Nas palavras do filósofo ateu Michael Ruse, qualquer significado maior é puramente ilusório. Falta-te base filosófica. Nietzsche, Camus, Sartre e Schopenhauer discordam de você.

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    2. "...conhecimento intuitivo diz respeito à subjetividade."
      Não, Andrei. Bah, agora senti pedi de ti. Falo sério. Não, o conhecimento intuitivo não é subjetivo. Não faz assim. Como eu já disse: você é um cara articulado e, acrescento agora, bem intencionado. Só tá focando nas coisas erradas, algo que era importante na Idade Média mas que hoje não o é mais. Acolha o iluminismo; deixe de lado o obscurantismo.

      Não, o conhecimento intuitivo apresenta-se na intuição humana devido à qualidade de conhecimento primário que ele possui. E por isso todos concordam com eles intuitivamente, diretamente, instintivamente. O conhecimento intuitivo é objetivo embora se atualize\aconteça na intuição individual (subjetivo). Por isso todos sabemos que a dor é ruim, que a carência (afetiva, material) é ruim, queimar-se no fogo é ruim, passar fome é ruim. Tu intui uma maldade aqui; outro acolá; outra tu ouve falar. De outra tu tem uma lembrança. Dessas várias intuições tu, com a ajuda do entendimento (uma das categorias kantianas), cria um conceito (conhecimento de segunda ordem, abstrato) sobre o que seria o mal (vários males > choca a ideia de mal na sua cabeça). Concretamente esse mal se manifesta em sua intuição através de casos concretos. (Lembra a diferença qualitativa entre o particular e o geral?). Por isso tu deveria saber um pouco de empirismo, um pouco de Wittgenstein e um pouco confiar em seus próprios sentidos.
      Por você pensar erroneamente sobre o assunto é que temos de ler isto: "o estupro de um bebê por diversão tanto pode ser uma coisa boa ou ruim, dada a subjetividade". Meu Deus, apague isso antes que alguém leia e pense que você realmente pense que estuprar uma criança pode ser algo bom.

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    3. Você deve ser uma pessoa muito frustrada na vida para descer a um nível tão baixo como esse: "Meu Deus, apague isso antes que alguém leia e pense que você realmente pense que estuprar uma criança pode ser algo bom." De todos os ateus com os quais debati, você é de longe o mais arrogante, prepotente, baixo e também o mais ignorante. Você conseguiu a proeza de misturar conhecimento intuitivo com a razão kantiana... Ignorando essa confusão, você afirmou que a criação de um conceito sobre o que seria o mal serve como um parâmetro objetivo para o mesmo. Isso não é objetividade para a filosofia. Objetividade é aquilo que está ALÉM DE NÓS e ACIMA de nossos gostos e preferências pessoais. Objetividade é x ser verdadeiro independentemente do que nós pensamos sobre ele. Baita contradição em suas palavras. Por fim, você ignorou vários de meus pontos, mais deixo aqui o principal: como você espera conciliar um conceito METAFÍSICO com o naturalismo, o qual afirma que SOMENTE A MATÉRIA EXISTE E NÃO HÁ NADA ALÉM DELA?

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    4. O erro foi tão grotesco que precisei comentar novamente. Como você afirma que o conhecimento intuitivo não é subjetivo, mas o coloca na mesma categoria da experiência sensorial? Você simplesmente colocou o bem e o mal no mesmo conjunto das cores e sabores, por exemplo. De duas, uma: ou você está errado ou não sabe o que significa objetividade e subjetividade. No mais, ainda estou à espera da pergunta anterior.

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    5. Foi isso o que você concluiu do que escrevi? Tá falando sério? Você pensa que o conhecimento intuitivo está para subjetivo... mas não é este o caso. Pelo contrário, pobre Andrei: há dois tipos de conhecimento: intuitivo e abstrato (básico de epistemologia). E eles não são equivalentes diretos de conhecimento subjetivo e conhecimento objetivo. Tampouco o são de conhecimento a priori e conhecimento a posteriori. Novamente, com estes desconhecimentos seus, sei que não conheces Kant, não leu Schopenhauer e sua Crítica da Filosofia Kantiana (é o do texto em português). Bom já disse: tenho pena de você. Uma pessoa bem intencionada, porém equivocada, além de limitada nas referências em filosofia.

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