O Paradoxo da Pedra (Análise)

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Técnica: Paradoxo da Pedra
É curioso como um erro de lógica pode confundir muita gente. Até hoje algumas pessoas não têm respostas para paradoxos lógicos como este. E neo-ateus, em má fé, o utilizam para "desnortear" os crentes desinformados. O paradoxo da pedra já foi bastante popular em debates, mas hoje não parece estar muito em voga. De qualquer forma, volta e meia alguém aparece propondo em discussões e, por isso, é necessário abordá-lo de forma a dissipar qualquer dúvida. Esse truque é apenas um truque de lógica. Vamos analisá-lo dessa maneira analógica. A argumentação vai mais ou menos assim:

1- SE DEUS É ONIPOTENTE, ENTÃO ELE PODE FAZER TUDO.

2- SE ELE PODE FAZER TUDO, ENTÃO ELE PODE FAZER ATÉ MESMO UMA PEDRA QUE NEM ELE MESMO PODE LEVANTAR.

3- MAS SE ELE NÃO PODE LEVANTAR A PEDRA, ENTÃO ELE NÃO É ONIPOTENTE.

4- E SE ELE NÃO PODE CRIÁ-LA, ENTÃO ELE TAMBÉM NÃO É ONIPOTENTE.

5- LOGO, DEUS NÃO É ONIPOTENTE, POIS NÃO PODE CRIAR UMA PEDRA QUE NEM ELE MESMO POSSA LEVANTAR.

Na verdade, essa forma contém um erro, pois Deus poderia criar a pedra (1ª situação), enfraquecer a si mesmo (2ª situação) e chegar a um ponto onde a pedra original fosse tão pesada que ele não fosse mais capaz de levantá-la (3º momento). Portanto, Deus teria criado uma pedra que nem ele pode levantar. A melhor forma de colocar a questão é a seguinte: pode uma força irresistível (capaz de levantar tudo) co-existir com um objeto inamovível (que nada pode levantar)? Devemos, primeiro, apresentar duas definições de onipotência para prosseguirmos na investigação. São elas:

(1) Ter a capacidade de fazer tudo, sendo tudo sinônimo das coisas que são logicamente possíveis (pois o logicamente impossível não é “algo” para estar dentro do conjunto tudo).

(2) Ter a capacidade de fazer tudo, sendo tudo sinônimo de até mesmo aquilo que é logicamente impossível.


Arrisco-me a dizer que a maioria dos teístas, e estou incluso aqui, adota a posição (1). O ponto chave para diferenciá-los é justamente o significado de “fazer tudo”: trata-se das coisas que são possíveis ou mesmo das coisas que não podem existir? Se definirmos “tudo” como o conjunto das coisas possíveis, fica fácil de responder o paradoxo. Não é possível para Deus criar uma relação de uma força irresistível co-existindo com um objeto inamovível, pois essa relação é, pela sua própria definição, algo incompatível logicamente; e não está dentro do “tudo” da onipotência. Como já havia respondido Santo Tomás de Aquino sobre onipotência na Suma Teológica (Prima Pars, Q. 25, A. 3) :

"O que resta, portanto, é que Deus é chamado de onipotente porque ele pode fazer todas as coisas que são possíveis absolutamente; que é a segunda maneira de dizer que uma coisa é possível. Pois uma coisa é dita ser possível ou impossível absolutamente, de acordo com a relação em que os termos estão um com os outros, possível se o predicado não é incompatível com o sujeito, como em Sócrates senta; e absolutamente impossível quando o predicado é completamente incompatível com o sujeito, como em, por exemplo, esse homem é um asno."

Essa também é, de certa forma, a opinião de C. S. Lewis:

"A sua onipotência significa poder para fazer tudo que é intrinsecamente possível, e não para fazer o que é intrinsecamente impossível. É possível atribuir-lhe milagres, mas não tolices. Isto não é um limite ao seu poder. Se disser: “Deus pode dar a uma criatura o livre-arbítrio e, ao mesmo tempo, negar-lhe o livre-arbítrio” não conseguiu dizer nada sobre Deus: combinações de palavras sem sentido não adquirem repentinamente sentido simplesmente porque acrescentamos a elas como prefixo dois outros termos: “Deus pode”.

Sendo assim, permanece verdadeiro que todas as coisas são possíveis com Deus: as impossibilidades intrínsecas não são coisas mas insignificâncias (na prática, não existem). Não é possível nem a Deus nem à mais fraca de suas criaturas executar duas alternativas que se excluem mutuamente; não porque o seu poder encontre um obstáculo, mas porque a tolice continua sendo tolice mesmo quando é falada sobre Deus.Deve ser porém lembrado que os raciocinadores humanos com freqüência cometem erros, seja argumentando a partir de dados falsos ou por falha no argumento em si. Podemos chegar assim a pensar coisas possíveis que na verdade são impossíveis, e vice- versa. (Problema do Mal, Capítulo sobre onipotência) O que Tomás e Lewis explicam é o seguinte: objetos existem, na realidade, em relações. E existem que relações que não são reais, por serem incompatíveis ou mutuamente excludentes. Esse é o caso da força irresistível e do objeto inamovível existindo ao mesmo tempo, pois a definição da existência de uma é a definição da exclusão da existência da outra. É o mesmo que perguntar: “Pode existir um solteiro casado?” ou “Pode existir um círculo que é um quadrado?”. A definição de casado é de um homem que não é solteiro, ou seja, se você é solteiro, está excluído a possibilidade de ser, ao mesmo tempo, casado. A definição de ser um círculo exclui a possibilidade de ser um quadrado. E a definição de uma força irresistível exclui automaticamente a existência de um objeto inamovível, pois se existe um objeto inamovível, ela não é mais irresistível; e vice-versa. Isso é só um jogo de palavras, não algo real,se onipotência é fazer “tudo”, e “tudo” é o conjunto dos “algos” existentes no plano real, então essas contradições lógicas não são “algo”. São apenas erros mentais ou gramáticos na construção de uma idéia. Deus continua sendo onipotente.

Então, pela definição (1) de onipotência, a coisa está bem clara: o paradoxo falha. O erro é do raciocínio de quem propõe a pergunta, não da incapacidade de Deus. Como Lewis disse, pedir que Deus faça ao mesmo tempo “X” e “não-X” trata-se apenas de uma… tolice, pois tal coisa não pode realmente existir, não estando no grupo “tudo” abrangido pela onipotência. Mas ainda temos uma questão: e se a definição utilizada for (2)? Basicamente, a requisição que o ateu estará fazendo é que Deus é tão, mas tão poderoso que ele pode realizar até mesmo aquilo que é logicamente contraditório e logicamente impossível. O problema é que se aceitarmos essa definição (que não é a minha preferida, mas tudo bem) o paradoxo vai imediatamente pro ralo. Se o poder de Deus deve ser tanto que ele possa resolver até mesmo contradições lógicas, então que sentido faz postular uma contradição lógica para dizer que ele não existe ou que ele não é onipotente? Afinal, se o seu poder é tanto que ele deveria ser capaz de superar essas contradições, então qualquer contradição que apontarmos também poderia ser superada por Ele, e segue que Deus continuaria sendo onipotente. Essa definição torna qualquer objeção lógica oferecida pelo ateu auto-refutável. Portanto, o paradoxo não funciona em nenhuma das versões de onipotência.

Considerações finais

Também é interessante lembrar que esse questionamento não excluiria a existência de um ser transcendental. Ele poderia muito bem muito poderoso, mas não ser onipotente. Essa objeção (que é falha) só provaria, no máximo, que teríamos que descer um degrau na escala de poder de Deus. No entanto, como vimos, nem isso é preciso fazer.


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77 comentários:

  1. Amigo, eu sei que esse não é o tema do post, mas como estou tendo um problema com a minha net eu vou postar por aqui mesmo. É sobre um post chamado "valores mrais absoluos existêm?" Um ateu me passou este vídeo: pesquise sobre Frans de Waal.
    Lei o livro dele: "Eu, Primata".
    Lá ele prova que os outros primatas também têm "moral".
    Veja isto: https://www.youtube.com/watch?v=NQIzuwAeARg

    Quem fez o experimento do Macaco Prego foi ele.

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    1. Boa noite. A "moral", a qual Frans de Waal se refere, nada mais é do que um conjunto de comportamentos sistematizados presente em espécies de macacos superiores. Em nada tem a ver com a ontologia da moralidade, que por sua vez, é o alicerce do argumento dos valores morais objetivos. (Ler o artigo "O Dilema Moral do Ateísmo"). O filósofo W.L. Craig já respondeu a essa questão: http://www.reasonablefaith.org/Do-Animals-Display-Morality

      Obrigado pelo vídeo!

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  2. Conversando com um ateu, ele falou-me algo me causo um pouco de preocupação. Transcreverei tudo o que ele passou: A empatia é necessária para nós termos valores morais, isso que eu quis dizer.
    Só porque existe seleção natural e competição não quer dizer que não possa haver cooperação, empatia, etc.
    A empatia é importante, por exemplo, para grupos complexos como o dos humanos.
    Os chimpanzés ajudam os membros de seu grupo, quando eles estão correndo risco de vida. Isso é um exemplo de empatia.
    http://www.ufcg.edu.br/prt_ufcg/assessoria_imprensa/mostra_noticia.php?codigo=4845

    A empatia ajuda a manter o grupo unido também, que foi e é importante para a sobrevivência da espécie.
    Quanto ao martírio, devemos estar cientes de que a espécie humana é bem mais complexa que a dos chimpanzés. Porém, ele significa morrer pela fé. No caso, morreria por algo que ele adora. Parecido com os chimpanzés, que morreram para salvar seus familiares que estavam morrendo afogados. Isso foi um sacrifício, um grande exemplo de empatia também.
    Tem coisas na sociedade humana que não há na sociedade dos símios. Mas têm muitas evidências que a nossa moralidade foi obra da evolução.

    E qual é o "problema" em concluir que não há bem e mau?

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    1. Devo lembrar que a ideologia cristã não exclui a possibilidade de evolução, e nem a evolução exclui a possibilidade de Deus... Pelo contrario... Isso me parece uma falacia característica do pseudo-intelectualismo de Dawkins... se quer entender melhor sugiro a leitura desse artigo: http://ateismorefutado.blogspot.com.br/2015/04/a-teoria-da-evolucao-prova-que-deus-nao.html

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  3. DEUS é um LIVRO, não um ser pessoal.

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    1. Disse o filósofo... Por falar nisso, seria interessante estudar um pouco dessa linda disciplina.

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    2. Deus pode criar uma pedra (Até aí, está tudo bem, pois seria ridículo assumir que um ser ONIPOTENTE NÃO possa fazer x) Que ele mesmo NÃO possa levantar?
      A primeira premissa se auto destrói (Afirmar que Deus pode algo para depois negar que pode). Deus se autolimita moralmente (Não pode mentir nem se contradizer), porque não faria com a tal pedra?

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    3. http://m.youtube.com/watch?v=nWL3R5WOBz8

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    4. https://m.youtube.com/watch?v=g8eFVZfLEoE

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Mário Lúcio Pettinato Pereira13 de agosto de 2015 08:22

    'Se Deus é onipotente, pergunta-se:Ele pode criar uma pedra que ele não possa erguer?Se não pode criá-la, não é onipotente.Se pode, então também não é onipotente, já que ao criá-la estaria originando algo que não poderia fazer (levantar o que tinha criado).' A questão inicial está na forma como cada um pensa da exteriorização das atribuições da natureza divina..Particularmente, não me coaduno com esses paradoxos,pois tenho a concepção de uma reunião simbiótica de conexão e interdependência de todas as unidades para formar o Todo, o qual eu chamaria de 'Deus'..As unidades formam o Todo,mas,o Todo não se confunde integralmente com as qualidades de cada unidade conexa neste imenso organismo micro e macroscópico..Pensemos,na maneira mais rudimentar: vários órgãos que compõem um organismo com as suas diferentes funções..não tenho o livre arbítrio de interferir do modo que eu queira de que o meu coração ou o meu fígado funcione de maneira diversa e nem me confundo com as funções de cada um..posso,quando muito,alimentar-me para que eles funcionem adequadamente..rsrs

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  6. O paradoxo da pedra é tão sólido quanto perguntar: Deus pode fazer o Ateísmo ser VERDADEIRO? Sério, depois dessa objeção ridícula perdi a fé no Ateísmo (Deus teria que inexistir para isso ser verdade ou aniquilar sua existência). Suicídio divina, nossa, esperava argumentos melhores!

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  7. Deus pode criar uma pedra tão pesada que ele não possa a levantar? Isso é um questionamento, sequer chega a ser um argumento.

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    1. Não é verdade, Andrei Santos?

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    2. Exatamente. Seria pedir para que Deus crie um círculo quadrado ou um triângulo retângulo. Tal pedra quebra a lei da não contradição, uma regra lógica. Dito isso, tal conceito não está sequer presente no conjunto da existência ou do vir a existir, logo, a pedra não existe e não pode vir a existir porque é explicitamente uma contradição lógica. Onipotência, por sua vez, significa fazer tudo aquilo que é logicamente concebível. Isso é o que alguns conhecem como "arjumento." Hahahahaha!

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    3. O problema do mal é o único argumento ateísta que conheço (Que contradiz toda a cosmovisão naturalista).
      Valores absolutos não existem
      O mal existe (Ele é absoluto)?
      Cadê a coerência neo ateísta?

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    4. Simplesmente não há coerência.

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    5. Diga-se de passagem, o ateu que não defende o paradoxo epicurista realmente conhece sua posição.

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    6. Pois sabe que seu "mal" é apenas opinião ou desagrado subjetivo.

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    7. Não está certo? O mal não passaria de uma dor inconveniente, nada além disso.
      O fato de haver inconvenientes em nossa vida é um pretexto para colocarmos Deus em questão. Mas tal objeção é falha, pois se o mal REALMENTE existir, este deve possuir uma explicação sobrenatural, pois o mal, por si próprio, não existe no naturalismo ontológico.

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    8. Afinal, a natureza é amoral.

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  8. Quando você utiliza o artificio do "enfraquecimento" você nega a premissa de onipotência.
    Por favor decida-se: Sua divindade regional judaica predileta é onipotente ou sofre de fraquezas?

    Ou será que de vez em quando é onipotente e de vez em quando sofre de fraquezas, ao sabor do humano carregando a superstição em seu cérebro?

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    1. Leia novamente o texto. Não é preciso sequer chegar ao "enfraquecimento" para refutar essa baboseira. É só lembrarmos que onipotência significa fazer tudo aquilo que é logicamente concebível. Tal proposição do dilema não entra no conjunto de entes que existem ou que podem vir a existir.

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    2. O sujeito não sabe o que é falácia genética. Poxa, até gênios como Nietzsche a cometeram, quanto mais um troll que acha que rotulando o adversário num debate pega bem para ele...
      FALA SÉRIO!

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    3. Pois é, eu respondo apenas para que os outros que apenas leem, mas não participam dos debates, vejam o quão "brilhante" é o neo-ateísmo. Nietzsche deve estar se revirando no túmulo agora...

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    4. Todavia, sempre haverá discórdia em debates por um dos lados. Deus nos fez suscetíveis a adaptação, não? O jeito é se acostumar.

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    5. Não é um tanto quanto adequado aceitar esta posição, Andrei Santos?

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    6. Talvez, mas em um debate, o propósito não é demonstrar a incapacidade intelectual do adversário e tampouco demonstrar que ele está errado, mas sim demonstrar as falhas da argumentação do oponente. Sendo assim, se as falhas forem demonstradas com clareza, quer o oponente concorde ou não, aceite ou não, ele terá perdido. Eu penso que essa é a melhor maneira de debater.

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  9. Quando ateus utilizam o paradoxo de Epicuro, estão expondo a fragilidade da definição de mal, conforme é definido pelos religiosos.

    Estamos expondo a fragilidade de sua lógica, ou falta dela, para ser mais exato.

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    1. Quando ateus utilizam o paradoxo de Epicuro, estão, na verdade, passando vergonha, porque qualquer ateu bem informado sabe que bem e mal não existem em uma cosmovisão ateísta. Tá na hora de ler Sartre, Nietzsche e Camus.

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    2. Estes citados era REALMENTE ateus e não esses pseudo ateus carentes de filosofia.

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    3. O Ateísmo implica em consequências sérias caso analisemos esta posição, são poucos os ateus que de fato são consistentes com suas crenças. Prova viva disso sou eu, mas minha sensibilidade moral foi mais forte, sabe?

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    4. O que acha da afirmação não empiricamente comprovada de Frédéric Nietzsche? Sabe? Sobre não haver nenhum fato moral, apenas interpretação deles?

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    5. Andrei Santos?

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    6. Se o mundo fosse feito de interpretações morais, tal como Nietzsche afirmava, logo, tudo seria de fato subjetivo. Eu respondo essa questão na parte "moralidade e cultura" do meu artigo: http://www.razaoemquestao.blogspot.com.br/2013/11/o-dilema-moral-do-ateismo.html

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    7. Poderia me explicar se a afirmação "você é paraense, por isso gosta de açaí" é um exemplo de falácia genética ou falácia naturalista (apelo ao natural)?

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    8. Isso mais me parece uma falácia de generalização precipitada.

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    9. Acho que são as três!

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  10. Qual foi o maior erro de Nietzsche?

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    1. Talvez não ter se aprofundado na metaética, ou ainda, não ter se questionado acerca do porquê, em sua concepção, os valores morais não poderiam existir. Também poder-se-ia questionar o ímpeto moral que constitui as ações dos seres humanos, a justiça, a liberdade, a humildade, etc. A natureza dos valores em si poderia ter sido investigada por ele mais a fundo.

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    2. Na realidade, Nietzsche era um ateu de verdade, se não seguisse o Ateísmo como o é em essência (Autodestrutivo), Nietzsche seria superior a vários filósofos contemporâneos não acha?

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    3. Andrei Santos, Quais foram os maiores erros de Sartre?

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    4. Superior em que sentido? Eu acredito que ele tenha sido um filósofo de uma importância imensurável, justamente pela forma como ele entendia a realidade. Ele foi, de fato, um ateu coerente, ao passo que entendia as implicações da subjetividade extrema. Com relação à Sartre, o maior erro dele foi ter tratado a liberdade sem levar em conta o subjetivismo incutido em seu existencialismo.

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    5. Superior em relação a sua genialidade. Nietzsche era objetivo, diferentemente de muitos filósofos que se dizem ateus. Ele entendia CLARAMENTE as questões ontológicas do valores.

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    6. Os valores, para existirem, por necessidade lógica, devem estar fundamentados em algo.
      A questão é: a natureza é moralmente indiferente.

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    7. Sim, concordo. Nesse sentido, Nietzsche, de fato, era superior. E também concordo que a natureza é moralmente indiferente.

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    8. A natureza é um Ivan Drago da vida:
      "Se morrer, morreu". Que diferença faz os seres humanos estarem vivos ou não?

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    9. Não acha, Andrei Santos?

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    10. Por vezes, me pergunto, o que aconteceria se Nietzsche fosse exatamente o contrário do que supostamente foi? Tipo, ao invés de ícone da filosofia ateísta fosse um árduo apologista? Já pensou sobre o assunto, Andrei Santos?

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    11. Não, na verdade. Sinceramente, não sei dizer o que aconteceria. Mas é um pensamento bem inusitado e interessante. Hahahaha

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    12. Pois é, o ferrenho do ateísmo poderia ser maior que Lewis!

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    13. Pode ser que sim, embora Lewis, para mim, tenha sido um gênio a qual poucos podem ser comparados.

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    14. De fato, a história de Lewis e Chesterton são paradoxais, pessoas que era atéias do dia para a noite revolucionam a apologética

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    15. Não acha, Andrei Santos? Não sei se Chesterton já foi ateu... Mas Lewis (conversão mais conhecida que conheço após a de Saulo de tarso).

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    16. Com certeza são ícones da história da apologética.

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  11. Quais os maiores apologistas em sua opinião?

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    1. Não sei dizer, mas os pensadores que mais me influenciaram foram Santo Agostinho, Santo Tomás de Aquino, Santo Anselmo, Platão, Aristóteles, Sócrates, Descartes, Hegel, Kant, Tocqueville, Locke. Entretanto, com relação aos apologistas contemporâneo, os que mais acompanho e admiro são Alvin Plantinga, J.P Moreland, W.L. Craig, Lennox, Norman Geisler e Richard Swinburne. Deixo aqui uma menção honrosa ao mestre C.S. Lewis.

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    2. Em relação ao cristianismo, eu fui igual a Lewis em sua adolescência, rejeitei, porém, depois de anos estudando, acreditei.

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    3. Eu já experimentei o agnosticismo, mas logo pulei fora.

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  12. Obrigado por suas reflexões, ajudou-me na argumentação com os teístas. Limitando o poder de Deus ao lógico concebível. Portanto, ele não tem TODO O PODER. Assim sendo, ainda é válido o paradoxo, que em nenhum momento do seu texto foi refutado.

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    1. http://www.respostasaoateismo.com/2012/02/ensaio-de-c-s-lewis-sobre-onipotencia.html?m=1

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    2. http://www.respostasaoateismo.com/2012/06/sobre-onipotencia-de-deus.html?m=1

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    3. Bem, o poder de Deus não foi reduzido, haja vista que a onipotência continua sendo o maior poder logicamente concebível, assim como Deus é o maior ser logicamente concebível. Para resolvermos essa questão, devemos ter em mente que a lógica estrutura toda a existência.

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    4. Pela lei de identidade estás querendo dizer que Deus=Onipotência, correto?

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    5. De certa forma, sim. Deus, na condição do maior ser concebível, teria como característica a onipotência, que é fazer tudo aquilo que é logicamente concebível. Quando as leis da lógica não são consideradas, o próprio processo de pensamento é suspenso. Se onipotência fosse poder fazer TUDO, Deus poderia conceder e não conceder a liberdade aos seres humanos ao mesmo tempo? Um círculo quadrado, um solteiro casado ou uma pedra inquebrável são apenas recursos ilógicos - junções de duas palavras que, juntas, não têm nenhum sentido. Dentro do conjunto da lógica, está toda a existência e o que pode vir a existir. Fora do conjunto da lógica, está aquilo que não existe e que não pode vir a existir, como círculos quadrados e tudo isso.

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    6. São simplesmente um conjunto de palavras sem nexo que se auto contradizem.

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    7. Não quero ser arrogante, porém acredito que isso não é difícil de compreender

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    8. De fato, não é algo de difícil compreensão.

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  13. Oi, Andrei. Você tem alguns argumentos ótimos, mas não concordo com todos e existem pontos onde eu vejo falhas.

    "Ter a capacidade de fazer tudo, sendo tudo sinônimo de até mesmo aquilo que é logicamente impossível."
    Pela definição de Onipotência, seria "Poder supremo ou absoluto; o poder de fazer tudo. (Var.: omnipotência.)". Com isso, como a definição 2 diz, temos que incluir até o que é logicamente possível, pois a afirmação não é "Deus tem o poder de fazer tudo que é possível" e sim que ele é PODE FAZER TUDO.

    Daí temos seu argumento, que confesso que é muito bom:

    "Se o poder de Deus deve ser tanto que ele possa resolver até mesmo contradições lógicas, então que sentido faz postular uma contradição lógica para dizer que ele não existe ou que ele não é onipotente? Afinal, se o seu poder é tanto que ele deveria ser capaz de superar essas contradições, então qualquer contradição que apontarmos também poderia ser superada por Ele, e segue que Deus continuaria sendo onipotente."

    O fato do poder dele ser, supostamente, superior à essas contradições não "autorefuta" a pergunta e ainda abre um precedente perigoso: Com isso qualquer questionamento lógico ou ético (e não moral) seria ilógico para Deus, pois ele poderia simplesmente "alterar a realidade ou a lógica" ao seu bel prazer.

    Trocando em miúdos (seguindo a lógica da sua argumentação) ele poderia sim fazer a pedra e não ser possível de levantar, pq ele poderia simplesmente se contradizer e determinar que essa contradição não existe. O que manda às favas toda a lógica.

    Ou seja, ficamos com dois argumentos que não respondem a pergunta:
    1- Deus é pseudo onipotente, limitado somente ao que é possível logicamente
    2- Deus pode alterar inclusive a lógica, então não ter sentido discutir.

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    1. Boa noite! Obrigado pelos elogios e comentários.

      Bem, permita-me discordar de alguns pontos. Eu, obviamente, defendo a posição (1), ou seja, onipotência é tudo aquilo que é logicamente concebível. Eu citei a posição (2) porque também há duas saídas opcionais: a primeira é que qualquer ilogicidade (absolutamente qualquer uma) poderia ser resolvida por Deus, afinal, seu poder não teria limites. Dito isso, ele poderia fazer coisas impossíveis, tal como quebrar uma pedra inquebrável, quebrar e não quebrar ao mesmo tempo, ser e não ser onipotente ao mesmo tempo, etc. No entanto, não conheço nenhum filósofo atualmente que adote essa posição. Em segundo lugar, onipotência não é um requisito necessário para Deus. Basta ser suficientemente poderoso. Prosseguindo e tendo em vista que eu não adoto essa posição, vamos nos concentrar na posição que eu defendo: a posição (1).

      O que é onipotência? Penso que seja tudo aquilo que estruture o pensamento e a existência. Por que eu penso dessa forma? Bem, porque as leis da lógica são simplesmente descrições da realidade, ou seja, somente através de três leis fundamentais que governam toda a realidade, é possível conceber a realidade. São elas: a lei da identidade, a lei da não contradição e a lei do meio de exclusão. São essas leis que definem o que pode vir ou não a existir. Uma vez entendido o conceito, vamos para o próximo: por que eu penso que a onipotência é poder fazer tudo aquilo que é logicamente possível?

      Bem, imaginemos um subconjunto que denomino A. Aqui jaz as coisas que existem ou que podem vir a existir (contingências). Agora, imaginemos um subconjunto denominado B, onde estão as coisas que não existem e que não podem vir a existir (círculos quadrados, solteiros casados, etc). Perceba que a definição de ser um círculo exclui totalmente a possibilidade de ser um quadrado. Trata-se da junção de duas palavras, que juntas, nada formam, ou seja, não podem constituir existência. Não faria sentido denotar uma palavra (onipotência) para caracterizar uma ação impossível. Seria como nomear algo que não existe e não pode vir a existir, tal como um cirquadrado (um círculo que é, ao mesmo tempo, quadrado). Perceba que a própria palavra impossível não teria mais sentido nesse cenário. A definição mais racional de onipotência, segundo a filosofia moderna seria, então, fazer tudo aquilo que é logicamente concebível. Deus não seria, portanto, limitado pela suposta “pseudo-onipotência”, pois, caso fosse diferente, nem mesmo a palavra “limite” faria mais sentido. A lógica é, portanto, não um limite, mas a própria existência. Enfim, espero ter te ajudado!

      Bônus: As verdades necessárias da lógica, segundo o teísmo, são simplesmente representações da forma como a mente de Deus essencialmente funciona. Teologicamente, os cristãos conhecem o referido conceito como o Logos de Deus. Desta forma, as leis da lógica seriam simplesmente descrições de como Deus raciocina necessariamente. Isto quer dizer que a lógica é a tradução de sua própria natureza.

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    2. Lógica=mente do Criador SEGUNDO o teísmo cristão.

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    3. Sim, mas eu prefiro a definição de que a lógica é a estrutura da existência.

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    4. Do ponto de vista estritamente filosófico, a lógica é a estrutura de todo o pensamento e da própria existência. Basicamente, ela descreve toda a realidade.

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    5. Não podemos explicar porque ela existe por um ponto de vista naturalista. O foda é que há muitas pessoas que vivem dizendo tudo é questão de ponto de vista sem se dar conta que está se contradizendo

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  14. Paradoxo da onipotência

    1. Se Deus é onipotente, então ele pode fazer tudo.
    2. Se ele pode fazer tudo, ele pode fazer uma pedra que nem ele mesmo consiga levantar.
    3. Mas se ele não consegue criar tal pedra ou levantar a mesma, então ele não é onipotente.

    O problema deste paradoxo reside simplesmente na definição de onipotência.

    C.S Lewis, baseando-se nas considerações de Tomás de Aquino, diz que a onipotência é a capacidade fazer tudo que é intrinsecamente possível, não o intrinsecamente impossível.Isso não é um limite de seu poder, o erro está em combinações de palavras que significam nada. Aliás, esta é uma definição universalmente aceita por filósofos.

    Por exemplo: Deus pode criar um círculo quadrado?

    Por definição uma exclui a outra. Um círculo não pode ser quadrado.

    Outro exemplo: Deus pode forçar alguém fazer algo por sua livre vontade?

    Por definição forçar alguém exclui alguém fazer algo por livre vontade. Ou seja, o truque do paradoxo reside em combinações de definições que são auto excluíveis, portanto o paradoxo é falso. Mas o ateu pode insistir na primeira premissa de que se Deus é onipotente então ele necessariamente pode fazer tudo. Ao insistir nesta definição, ele cai na sua própria armadilha. Afinal, se Deus pode fazer tudo, isso inclui o logicamente impossível. Portanto não existe paradoxo.

    Outros dizem então que o conceito de onipotência é falho, já que existem definições diferentes para o mesmo. Na verdade acho que qualquer um pode chegar no consenso que onipotência é o maior poder concebível para se fazer algo, portanto a essência do conceito de onipotência permanece intacta nas duas versões.

    Salienta-se também que vários paradoxos do tipo são refutados pela mesma maneira, como por exemplo, a questão sobre se Deus possui a capacidade de se destruir.

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